Minha concepção da “Real Realidade” na busca pela verdade

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A revista Época publicou discretamente em 2/11/15 uma notícia de extrema importância do ponto de vista científico, filosófico e religioso: a comprovação da não localidade do universo, contrariando rabugices do grande Einstein. Prova entre muitas de que, em minha modesta opinião, a ciência está ainda muito longe de compreender como surgimos e o que diabos estamos fazendo por aqui. É mais uma marretada na arrogância dos que se supõem conhecedores da vida, como o Sr. Richard Dawkins.

Há cerca de 2.500 anos o filósofo Platão observou que havia uma ignorância dependente da percepção humana. O mito da caverna de Platão retrata o seu exercício imaginativo de alguém preso em uma caverna, que conhecia o mundo apenas pela projeção das sombras em suas paredes. Sombras de estátuas, por exemplo, lhe pareceriam pessoas imóveis e nessa linha de raciocínio teria uma visão altamente restrita do que é o mundo na verdade. Apontava, assim, que as pessoas se enganavam em suas avaliações e conclusões por limitações do seu campo de visão ou de análise.

Atualmente é possível acrescentar outros elementos à brilhante conclusão de Platão quanto ao ponto de vista do prisioneiro. De fato, é comum cometermos erros de todos os tipos em decorrência da nossa ignorância sobre os assuntos com que lidamos. Contudo, há a necessidade de avaliar também se de fato temos a competência para tal percepção. Ou seja, podemos não conseguir perceber algo por restrições ao nosso intelecto, pela falta de determinado tipo de conhecimento. Por exemplo, nem todo mundo compreende a grande correlação entre a alta do dólar e a inflação. Podemos encontrar ossos de aves extintas num parque florestal e acharmos que são ossos de galinha… Enfim, os exemplos do nosso cotidiano podem ser inúmeros.

Mas a nossa limitação intelectual pode ser suprimida pelo aprofundamento e pelo estudo de um determinado tema, porém ainda assim haverá pessoas que por mais que leiam ou estudem não encontrarão as respostas mais elementares. Isso porque a grande maioria de nós tem aptidões específicas para temas, como é o caso dos advogados por leis, físicos por matemática, médicos por biologia etc. Se trocarmos tais profissionais por diferentes aptidões teremos um monte de gente inteligente extremamente confusa…

Há ainda outro tipo de deficiência, de natureza muito mais grave. São as deficiências neurológicas, que alteram completamente a percepção do mundo, impedindo que as conclusões aparentemente mais lógicas sejam impossíveis de atingir. A ciência ainda está engatinhando na direção do aprendizado a respeito de como a mente funciona, e sua especialidade ainda é basicamente diagnosticar as consequências sintomáticas, e não as causas biológicas, mas é útil sabermos identificar patologias como:

  • Autismo – dificuldade de compreender a comunicação social
  • Agnosia facial – não reconhece rostos. Agnosia em geral pode acometer outros sentidos.
  • Esquizofrenia – dificuldade em distinguir o imaginário (delírios) da realidade
  • Dislexia – dificuldade para interpretar a leitura

São muitos os exemplos de anomalias, mas o que considero importante é o autorreconhecimento de nossas próprias deficiências, seja as de uma ou de outra natureza, inclusive circunstanciais, como nas vezes em que avaliamos algo sob forte emoção. Já que não podemos fugir de nossa humanidade, de nossas limitações, penso que o mais importante é que deixemos de lado a arrogância que nos leva a achar que apenas nós estamos certos sobre determinado assunto. Penso que devemos nos acostumar a escutar mais o outro e compreendê-lo em suas idênticas limitações.

Costumamos encontrar grandes confusões, com resultados trágicos, no cotidiano quanto a essa mistura intensa entre realidade, percepção e competência de análise. É o caso, por exemplo, do Exército Islâmico, que resolveu acreditar que conhece profundamente os intrincados desejos de Deus. Lula também deve achar que o que cobrava da Odebrecht era justo pelo que achava que fez pelos pobres. Enfim, cada doido…

A verdade parece ter várias faces, mas isso também não é uma verdade. A verdade costuma ser uma só, a que apelidei de “real realidade”. O problema é que ela costumeiramente se esconde abaixo de muitas camadas de informações, sutilezas, interpretações e limitações, onde parece repousar irônica e desafiante no meio de um intrincado labirinto.

Acho que a única saída para frustrá-la em sua arrogância e superioridade inatingível é diante das grandes questões não desistirmos de encarar de pé as tortuosidades de seu labirinto, repetindo humildes no caminho o que o mestre de Platão, Sócrates, nos ensinou: “Só sei que nada sei”. E completar: “Mas não vou desistir”.

Ensaio sobre a equivocada definição de pecado (ou de como os supostos livros sagrados são capazes de nos impregnar com culpas desnecessárias)

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Penso que a melhor forma de compreender o universo é por meio da perspectiva científica, que o enxerga como um lugar frio e insensível, onde apenas as regras da matemática e da lógica são capazes de explicar o que vemos. Embora acredite firmemente em forças inteligentes além de nossa compreensão, em outras oportunidades já expliquei que, se de fato tais forças existem, nossa própria existência somente faz sentido se as retirarmos de nosso cotidiano, se as desconsiderarmos. Para os mais desavisados, essa afirmação parece um paradoxo. Não é, mas não trataremos disso aqui.

Ao tentar compreender o comportamento do mundo moderno pelo método científico, acostumei-me a encontrar respostas bastante consistentes e coerentes mediante a análise das condições evolutivas pelas quais todas as espécies foram moldadas ao longo dos cerca de 600 milhões de anos últimos, quando começaram a aparecer os indivíduos multicelulares. Para colaborar com esse raciocínio, recomendo a leitura do livro “O gene egoísta”, de Richard Dawkins, uma obra bastante esclarecedora publicada em 1976, que o alçou ao posto de maior darwinista da atualidade.

Em “O gene egoísta” o autor descreve de forma bastante clara a principal razão pela qual a vida é tão persistente no planeta. É pela capacidade dos seres vivos em adquirir e processar energia (sobrevivência) e uma forte competência de replicação (via procriação, no geral). Para suportar essa ideia, o livro reforça-nos a sofisticada adaptabilidade física dos organismos diante dos meios mais adversos e, ainda que possa nos parecer sutil, enfatiza-nos a imensamente forte conexão sentimental entre parentes, em especial dos pais por seus filhos. Essa ligação, a que vulgarmente atribuímos o romântico termo “amor”, traz escondida em cada uma de nossas células uma minúscula, porém poderosa, molécula de DNA. Esse é o ponto central do livro, a ideia de que essa incrível molécula tem como objetivo maior apenas a sua perenização, a sua própria imortalidade. Para explicar como uma molécula é capaz de tamanha façanha talvez seja preciso entrar no duvidoso ramo da metafísica, mas fica para outra hora.

DO IMPULSO DA SOBREVIVÊNCIA

A competência mais emergencial dos seres vivos é conseguir alimento e metabolizar a sua energia. Logo, a sobrevivência na natureza não avalia, cria ou discute regras morais. Ou você consegue se alimentar, e assim sobrevive, ou esquece. À medida em que as espécies foram se tornando mais complexas, foram descobrindo as vantagens da vida em grupo, ou seja, da vida em sociedade. Como bons exemplos temos o caso das formigas e das abelhas. Elas não conseguiriam viver solitárias.

Quando observamos o caso dos mamíferos, onde as necessidades de sobrevivência são de natureza muito sutis e complexas, aparecem regras especiais de convívio, tais como territorialidade, liderança, hierarquia, funções específicas, e assim por diante. São regras que mantêm o grupo unido, em ordem, que quando são descumpridas sacodem os alicerces das vantagens da vida em sociedade. Porém há tanto regras essenciais quanto regras banais. Como exemplo de regras banais, caso um chimpanzé que esteja comendo algumas bananas se distraia, veremos que um outro lhe roubará as bananas que não estejam devidamente protegidas. A depender da disponibilidade de bananas, ou seja, em havendo muitas delas, ninguém se importará que ele leve algumas sem pedir licença. Na natureza não há julgamento moral. Apenas um “salve-se quem puder!”.

Sempre esteve claro para um ‘produtor de comida’, por exemplo um predador, que o seu empenho de energia para obter caça não comportava a ideia de também sustentar “malandros” que não fossem de sua família. Ocorre que, com o surgimento da fala humana, a meu ver infinitamente mais importante do que o tal polegar opositor, ficou muito mais fácil transferir a informação de quem tinha ou não preguiça… Ficou mais claro também, consequentemente, desenvolver e comunicar regras, tais como a que não pode usufruir dos alimentos produzidos quem não colaborasse para obtê-los. E as regras complementares para quem as infringisse, como perder a mão ou a própria vida.

Embora tais regras fossem justas e muito claras para os produtores de comida, do ponto de vista do malandro nunca houve regra que calasse estômago, que silenciasse a voz que o mandava procurar comida sob qualquer circunstância. Um impulso de sobrevivência tem uma imensa dificuldade de se calar.

É evidente que o desejo de obter algo, no caso comida, não pode nem consegue ser neutralizado ou esvaziado pela simples lógica do quanto é justo ou não que se coma às custas do esforço de outrem. Sem que precisemos mais aqui explorar todo o processo evolucional das sociedades humanas, é possível imaginar as inúmeras vezes em que esse conflito aconteceu, com resultados desastrosos, tanto para os produtores de comida, hoje conhecidos como trabalhadores, quanto para os malandros. Lembrando que, modernamente, podemos substituir a noção de comida por energia, e a de energia por dinheiro, a moeda com que se pode adquirir energia e muitas outras vantagens para a sobrevivência.

Aqui é preciso comentar, em termos bem básicos, como funciona o córtex frontal, um dos dispositivos mais evoluídos do cérebro humano e que ajuda muito a nos distinguir dos demais animais. Ele trabalha avaliando os impulsos (ou desejos) mediante a ponderação das vantagens e dos riscos decorrentes de uma ação, que pode ser imprópria ou não, o que chamamos de julgamento moral. Simplificando os mecanismos do pensamento podemos, assim, assumir que o córtex frontal dispõe da competência em refrear um impulso inapropriado decorrente do desejo de, por exemplo, pegar um dinheiro que não nos pertence. Se esse freio é falho, um impulso natural não consegue ser refreado e o indivíduo comete o roubo.

Para ilustrar de forma mais contundente o papel refreador do córtex frontal recomendo a leitura do caso clássico de Phineas Gage, um operário exemplar do século XIX que, após acidente que seccionou parte importante das conexões dessa área do cérebro transformou-se completamente, tornando-se irascível, descontrolado, inclusive miserável, perdendo banalmente todas as economias. Seu caso é de grande importância pois ajudou a construir alguns dos primeiros conceitos da área de neurociência.

Podemos também concluir, portanto, que do conflito entre o desejo natural de ter os mesmos recursos de alguém rico sem gastar muita energia, ou seja, sob quaisquer meios e o esforço de refreamento eclodem os sentimentos de inveja ou de frustração. Como fazer par acomodar essa emoção depende dos recursos internos de cada um, inclusive dos seus gradientes de impulso e refreamento, que podem ir de zero a dez, e do ponto onde se deu o choque (ver figura acima).

DO IMPULSO DA PROCRIAÇÃO

A segunda competência mais importante, vindo logo após a própria sobrevivência, e com vistas ao mesmo objetivo de imortalidade do nosso DNA, é a procriação. Nascemos altamente preparados para reconhecer qualidades e defeitos em potenciais parceiros, onde a busca da beleza tem um significado importantíssimo, subjacente ao mero prazer de namorar alguém bonito. A atração por pessoas belas significa, basicamente, que os genes com quem pretendemos dividir os nossos parecem claramente ser de uma pessoa saudável, e implicam na ideia de que os filhos de nossos filhos também terão essa qualidade genética.

De acordo com o conhecemos do nosso relógio biológico, as meninas ovulam por volta dos 11-13 anos e têm suspensa sua fertilidade por volta dos 45-50. Devido ao processo natural de envelhecimento, podemos dizer que há uma curva de excelência, ou seja, a menina atinge a maturidade física por volta dos 16-18, mantém-se em seu frescor até os 30-35 e depois inicia o desafio de manutenção da delicadeza da pele, do cabelo, da firmeza muscular e de outros atributos em decorrência do avanço natural da idade. Junto a esse processo físico há o incremento gradual da maturidade intelectual, tornando a mulher cada vez mais experiente e arisca quanto aos truques de sedução masculina.

Logo, revisitando analogamente todos os argumentos evolutivos aqui explorados chegamos aos dias atuais, tratando do caso hipotético de um homem de 50 anos diante de uma bela menina de 18, na flor da idade, no auge de sua beleza física e funcional, plenamente fértil. Vamos deixar bem claro: não há homem (desses que “realmente gostam da coisa”) que não a deseje. Por outro lado, um senso moral o obriga a refrear a sua abordagem, pois sabe que a moça é para ele praticamente uma criança a quem apenas usará sexualmente e, pela imensa diferença intelectual, de quem se cansará facilmente, impedindo-a de procurar parceiros mais de acordo com a sua maturidade. Senso esse devidamente produzido a partir de análise do seu córtex frontal. O mesmo raciocínio vale para a linda mulher do amigo, da belíssima supervisora de vendas recém enviuvada, e por aí vai.

Mas, infelizmente, assim como no caso do roubo há os que possuem baixo gradiente de refreamento, o que não lhes permite a contenção de impulsos de determinada força. O resultado pode ser igualmente catastrófico, como nos mostram os casos históricos, os dos jornais atuais e mesmo os de gente conhecida.

Conclusões

Diante de tantos impulsos e desejos, ora reprimidos ora estimulados pelas próprias condições do ambiente ao nosso redor, a natureza nos dotou da habilidade de decidir por meio da percepção daquilo que de fato nos interessa mediante um subjetivo recurso. Fomos capacitados, assim como os demais animais, a avaliar o que deve ser feito por meio da emoção, o que nem sempre significa a melhor decisão. Sendo o nosso cérebro viciado em emoções, temos a habilidade de sentir ou mesmo de impedir (pelo menos tentar) uma gama de diferentes sensações tais como raiva, amor, tristeza, euforia etc. Poderíamos falar bastante sobre o significado e a utilidade de cada uma delas, mas o importante a ressaltar é que, conforme nos ensina Antonio Damásio, o nosso processo decisório é fortemente afetado pelo que ele chamou de “estado emocional de fundo”, aquilo que algumas vezes chamamos vulgarmente de humor. Logo, precisamos estar atentos quando, apesar de a lógica apontar numa direção, nosso emocional, certo ou não, apontar para outra. Recordo novamente o caso de Phineas Gage para enfatizar o quanto somos também dependentes das condições neurológicas para atingirmos a serenidade emocional.

Ao buscar justificativa nesses impulsos basilares de sobrevivência e procriação, em outro post comentei sobre a relativização de status (*). Nele desenvolvi a ideia da necessidade de nos sentirmos importantes em relação às condições que estão ao nosso redor, alertando que tal necessidade pode ser facilmente transmutada em sentimento de orgulho ou soberba, com suas consequências negativas. Sob o efeito do orgulho, por exemplo, também podemos nos tornar mais ousados ou corajosos, afetando tanto um determinado impulso quanto a nossa capacidade de refreá-lo. O orgulho, por sua vez, também é desconsiderado como uma ferramenta de sobrevivência e defenestrado como um simples pecado.

No meio de tantas considerações quanto a impulsos, refreamentos e emoções, reafirmo para mim mesmo: o que é o pecado senão apenas a manifestação genuína e amoral de alguns dos nossos impulsos naturais mais basilares? De onde vem a concepção de que os impulsos são a manifestação de um mal originado fora de nós, o qual no momento em que o reconhecemos adquire a identidade de pecado, se na tentativa de nos perpetuarmos somos repletos de desejos intrínsecos à nossa intrínseca e inescapável natureza animal? Por que precisamos chamar de “tentação demoníaca” aquilo que é precisamente a base da nossa própria existência?

De forma nenhuma estou aqui avalizando comportamentos execráveis, tendo em vista que hoje em dia temos plenas condições de alcançarmos a felicidade sem que nos aproveitemos da fragilidade alheia. Estou apenas afirmando que enquanto tivermos a carga genética dos nossos mais antigos ancestrais, sempre teremos os impulsos igualmente primitivos deles.

Em virtude de evidente lógica acrescento, portanto, que o pecado deveria ser tal como definido algo ruim apenas quando nos tornamos incompetentes em refrear o que não é justo nem harmônico. Quando o gradiente de refreamento da pessoa é muito baixo e ela não faz nada para mudar. Porém, outro problema eclode quando se nega a própria autoria dos desejos mais primitivos, mentindo para nós mesmos como se fossem meras tentações. A psicanálise define essa percepção como ‘locus de controle externo’. No caso, é pior, é pretender culpar um outro que muito provavelmente nem existe. É atribuir a diabos e demônios aquilo que nós mesmos somos.

(*)   https://reestruturador.wordpress.com/2015/07/28/a-relativizacao-de-status-e-a-incompressibilidade-do-ego/

Ensaio sobre a Vaidade, a Soberba, a Raiva e a Vergonha mediante a exploração de dois conceitos: a “Relativização de Status” e a “Incompressibilidade do Ego”

STATUS E EGO

v.15/10/15

Olhando o universo de forma menos emocionada, de uma perspectiva científica, ele é absolutamente frio e sem propósito. A partir dessa premissa – que não é a minha, mas a forma de ver da ciência atual -, a vida é sem sentido, embora persista e evolua estranhamente aqui nesse minúsculo planeta há bilhões de anos.

O sucesso da vida na Terra se ampara em dois vetores, sobrevivência e reprodução, os quais, não por coincidência, são os principais impulsos nos animais, pois têm como meta a perpetuação de seus genes. Para atingir os seus frios e firmes objetivos, a natureza dispensou a criação de regras morais, logo, se um macaco facilitar, o outro lhe rouba a comida. O mesmo ocorre com o sexo, onde não se dá muita importância ao falatório da vizinhança, mas somente se há ou não atração física e disponibilidade.

A partir apenas desses dois objetivos básicos – alimentação e procriação -, podemos explicar uma imensidão de comportamentos humanos do nosso cotidiano, todos amparados no que conceituei como “relativização de status” e “incompressibilidade do ego”. Ao final desse texto veremos como ambos se entrelaçam para formar a maior parte da nossa infraestrutura emocional e sua influência em nossa forma de pensar e se comportar.

A relativização de status

Imersa em um ambiente totalmente desprovido de compaixão, a mente de um animal precisa possuir recursos instintivos de estratégias de sobrevivência. A necessidade de comer, de obter energia, nos faz desejar territórios de caça e estoques de alimentos. Especialmente nos mamíferos a natureza forneceu um claro sistema de avaliação para ser usado ao longo de suas andanças, no pasto, na procura por frutas ou parceiros, durante a caça etc. Por meio de rápidos algoritmos mentais, que permitem avaliar se se está diante de um predador, de uma presa, ou mesmo de alguém neutro, a maior parte dos animais superiores – onde insetos não contam -, tem a capacidade de avaliar se o outro é de sua mesma espécie, se é maior ou menor que ele mesmo, se lhe parece agressivo ou venenoso etc. É uma avaliação praticamente instantânea, mormente guiada pela visão e olfato, que lhe força à decisão de ficar, lutar ou fugir, sem perda de tempo.

Como não identifiquei nas minhas aleatórias leituras científicas uma referência a esse tema, apelidei esse mecanismo de “relativização de status”, definido pela capacidade praticamente instantânea do cérebro de analisar o potencial geral do que está à sua frente – se é uma ameaça, uma vítima, ou mesmo alguém parecido consigo. Se estamos falando de uma espécie animal diferente, a pergunta adquire uma conotação específica: é aquele outro animal um feroz predador, uma frágil presa, ou apenas mais um inofensivo vegetariano? Se for da mesma espécie animal, o encontro pode resultar numa disputa por território, numa disputa por fêmea etc. Neste caso, cada parte precisa saber avaliar o risco do confronto, pois mesmo entre vegetarianos uma luta pode ser mortal.

Na natureza, a análise dessas circunstâncias tem muito a ver com a aparência, com o lado físico de cada animal, como o seu tamanho e/ou as habilidades de luta ou fuga intrínsecas à sua espécie. Interessa-me aqui, porém, a exploração desse tema nos tempos atuais e do quanto se parece com o mundo selvagem. Atualmente continuamos precisando trabalhar para nos alimentar e procriar, tal como os primeiros vertebrados sexuados começaram a fazê-lo há centenas de milhões de anos atrás. Analogamente, para o homem contemporâneo, dinheiro é o que territórios de caça e pasto, e seu potencial alimentar, significavam para os nossos antepassados. Dinheiro é pura energia para a sobrevivência. E quanto mais o temos, melhor, pois igualmente aumentam também as nossas chances de procriação. Da mesma forma como comparar tamanhos na natureza é uma necessidade para se determinar a posição na cadeia alimentar, comparar sinais de quem tem mais ou menos dinheiro também é uma necessidade moderna para analisar a posição social de quem está diante de nós. Não à toa, ir a uma reunião em São Paulo usando um Rolex de R$30 mil no pulso pode dar ao interlocutor uma ideia de posição socioeconômica do seu usuário.

Nesse jogo de regras duras pela sobrevivência, a capacidade de um animal perceber, ou mesmo compreender, quais as intenções dos outros, é também uma vantagem competitiva importante. Quanto mais sofisticada a mente dele, mais códigos comportamentais, como medo, tensão, hesitação e ansiedade, podem ser identificados, interpretados e transformados em pontos a favor. Daí a tendência, em havendo alguma chance de vitória em um confronto físico, de que cada animal se comporte como sendo o mais capaz. Em sendo da mesma espécie num mesmo grupo social, onde normalmente há um macho alfa, o potencial de vitória de um animal em um conflito interno determina a sua posição hierárquica. Em algum momento, cada animal experimentou ou observou que não se deve se indispor com o líder, em geral um grande lutador.

Conforme comentamos no início, os cérebros dos animais, inclusive os nossos, não vêm com instruções morais. A única competência que as mentes possuem é o de refrear impulsos inadequados. Essa competência é desenvolvida ao longo do tempo pelo aprendizado em situações onde as consequências foram ruins para a sua própria integridade física. Aquilo que interpretamos como regra moral, portanto, nada mais é do que o fruto das relações em sociedade, onde a conveniência de respeitar a liderança se evidencia cada vez mais ao longo do tempo.

Considere um leão nas savanas. Ele possui um território demarcado (muitas vezes por urina) cujo limite é um espaço reclamado por outra família de leões. Isso vale para várias espécies de predadores. Então é possível assimilar que, se não houvesse uma barreira física, o primeiro leão e sua família se expandiriam até onde a vista permitisse. Se olharmos com um pensamento “moderno”, veremos que o primeiro leão “respeita” o espaço do segundo, mas em verdade ele apenas sabe que se passar da sua fronteira arranjará uma briga de vida ou morte com o seu vizinho.

Porém, nem todo conflito por alimento representa um risco de morte. No exemplo do macaco roubando uma banana do seu colega, é provável que a possibilidade de encontrar outras bananas naquele território seja um caminho menos arriscado a seguir do que se indispor mortalmente com um “mau caráter”. Talvez o que esse rapaz mereça seja somente uma corridinha e um bom puxão de orelhas. Talvez, de tanto transgredir as regras de boas maneiras, fique “queimado” no grupo.

A imensa capacidade humana de comunicação aperfeiçoou sobremaneira a vida social. Consequentemente, aprendemos que é mais vantajoso um ambiente cooperativo, equilibrando e/ou refreando os nossos impulsos primários e egoístas. O resultado é o que vemos hoje: um imenso e sofisticado desenvolvimento social e tecnológico, enquanto aqueles com maior dificuldade em refrear os seus impulsos egoísticos vão sistematicamente ficando à margem da sociedade, ou mesmo sendo aprisionados em prisões e cadeias. É onde começa a confusão, pois quando notamos a nossa limitação para atender a um desejo, como obter R$1 milhão de qualquer maneira, somos ou não capazes de contê-lo? Quando nos irritamos com alguém, somos ou não capazes de dominar a nossa raiva?

Por outro lado, a capacidade de reconhecermos o mérito de alguém que esteja em uma posição hierarquicamente superior nos permite organizar a sociedade em partes que precisam de uma liderança e uma certa estratificação de status para funcionar adequadamente. Essa necessidade de hierarquização é tão profunda que a própria natureza se encarregou de instituí-la há tempos na maioria das espécies sociais, de insetos a mamíferos. Aliás, importante lembrar que todo organismo onde existe um cérebro é de per si uma estrutura onde bilhões ou trilhões de células acompanham os ditames desse órgão líder. Portanto, é mais que evidente a utilidade da hierarquia, pois as estruturas sociais em geral, e especialmente a humana, dependem de representações simbólicas que nos lembre o papel e a posição de cada um. Exatamente como na natureza.

No caso humano, onde é possível racionalizar melhor as forças que estabelecem as hierarquias, aqueles que estão acima de outros em suas posições precisam agir em conformidade com os mais altos propósitos em favor do conjunto, caso contrário perderão prestígio e, com ele, as justificativas que os mantém nessas posições. Em uma análise mais ampla da atividade social cotidiana, todos nós, com muito ou nenhum poder, seja ele permanente ou temporário, deveríamos agir sempre conscientes da importância de preservar a harmonia dos grupos onde estamos inseridos, respeitando todos os níveis, nunca com o coração afetado pela arrogância ou pelo orgulho, mas sim pelo senso de dever.

Examinemos alguns casos de hierarquia intrínseca à sociedade moderna:

  • Papa – não podemos achar que podemos convidar o papa para tomar um chope ali na esquina. Aliás, pelos mesmos motivos que jamais o veremos de bermudas na Praça de São Pedro. Papa Francisco, por sua vez, tem demonstrado humildade diante de seu papel.
  • Hierarquia parental – filhos não podem desrespeitar os seus pais, tios ou avós, especialmente aqueles que possuem o mérito de serem bons parentes. Por sua vez, pais, tios e avós não podem agir como se estivessem acima de questionamentos. Todos precisam dar o exemplo.
  • Hierarquia jurídica – acho importante haver uma deferência aos juízes, pois eles representam não a si mesmos, mas à Justiça. Um juiz, por sua vez, não pode achar que é Deus…
  • Hierarquia profissional – um diretor precisa ser visto e tratado como uma pessoa que tem a responsabilidade de condução da empresa. Espera-se, no entanto, que esteja à altura do cargo.
  • Hierarquia política – o Presidente da República precisa ser respeitado para que as suas decisões em favor da população como um todo sejam devidamente acatadas. Quando age apenas com o objetivo de se perpetuar no poder, atua em conflito de interesses, ou seja, perde o direto ao respeito e deve ser deposto.

O fenômeno da “relativização de status” nos leva a querer estar sempre acima do outro, nunca abaixo. Ele nos afeta o tempo todo, de muitas formas e em várias ocasiões. Nunca queremos ou nos permitimos aparentar inferioridade. Excetuando-se a disposição hierárquica naturalmente necessária para o bom funcionamento das sociedades, como comentado, comportar-se de forma vazia de utilidade como alguém superior é apenas permitir a atuação dos instintos mais primitivos que possuímos.

A incompressibilidade do ego

Ego significa “eu”. E como vimos acima, a sobrevivência do nosso “eu”, dos nossos genes, depende de grande competência para conseguirmos alimentos e parceiros disponíveis para acasalamento. Conforme a evolução transcorreu e as espécies se tornaram cada vez mais complexas, maior a necessidade de convivência em grupos sociais. Como consequência, desenvolveu-se a mais sofisticada das ferramentas biológicas para atendimento das necessidades e objetivos desse “eu”: a mente. A mente, portanto, é o próprio ego. Vamos procurar esclarecer aqui como a mente precisa se fazer respeitar para preservar a sua própria integridade.

A natureza dotou a mente do macaco com um gosto genérico por frutas e insetos. Analisando esses alimentos descobrimos que esse gosto é apenas a combinação da aptidão cerebral pelo sabor de nutrientes contendo açúcar (para energia) e proteína (para estrutura física) com a capacidade de serem metabolizados pelo macaco. É uma combinação especial, pois o galho da goiabeira pode até conter esses nutrientes, mas não pode ser digerido por um macaco.

Naturalmente, alguns alimentos no território do macaco são mais raros do que outros e, embora não saibamos ainda como acontece em detalhes, seu cérebro desenvolve um sistema de recompensas diferentemente para cada tipo de alimento. Por exemplo, ele pode gostar mais de amoras do que de bananas, simplesmente porque as primeiras são mais doces. Daí podemos concluir que o macaco pode estar disposto a maiores esforços, ou mesmo entrar em uma disputa física, por causa de amoras, mas não tanto por bananas.

Podemos dizer que uma amora é um vetor de interesse (VI) para o macaco, assim como o sexo. Logo, da mesma maneira que o nosso macaquinho pode se tornar mais competitivo e, portanto, mais agressivo, na disputa por amoras, ele pode ter também grande preferência por uma entre as doze macaquinhas do seu grupo. A verdade é que ele copulará com a primeira que lhe der bola, pois a natureza sempre busca o caminho mais fácil. Mas, ainda assim, provavelmente, assim como nas amoras, ele estará sempre inclinado a uma disputa mais violenta para possuir a tal macaquinha do que com relação às demais.

O que observamos na natureza e, por analogia, no universo humano, é que, uma vez estabelecida uma meta, que pode ser essencial ou por mero gosto, tornamo-nos inclinados a lutar mais ou menos por ela. Logo, a luta por um determinado objetivo cria em nós um vetor de interesse (VI), que pode ser forte ou fraco, a partir do qual estamos ou não prontos para uma ruptura.

Como vimos na relativização de status, o tamanho do oponente é um fator importante para avaliação de nossa chance de sucesso em uma disputa. Há nos animais, portanto, uma tendência generalizada de tentar se parecer maior, seja em termos físicos, intelectuais ou econômicos. Consequentemente, nas sociedades humanas temos também a necessidade de possuir certo tipo de aparência, ou seja, o maior quanto possível e ao mesmo tempo “redondo” e “liso” para podermos transitar sem esbarrar nas arestas dos outros egos do nosso próprio grupo social.

Para cada VI diferente há um esforço proporcional a se dedicar para a sua obtenção (ou retenção, proteção), conforme vimos no caso do macaquinho apaixonado. Temos inúmeros interesses diferentes, estratégicos ou triviais, grandes ou pequenos, como proteção da família, gosto por bebidas A ou B, gosto por comida C ou D, vontade de comprar um carro, vontade de casar, vontade de ter um salário maior, vontade de ler um livro, vontade de viajar, vontade de tomar um sorvete, vontade de calçar um tênis e assim por diante. São interesses que estão em nosso interior, debaixo da casca lisa que nos distingue como indivíduos. Felizmente ou infelizmente, esses interesses encontram barreiras de várias dimensões, em geral decorrentes de interesses contrários de outros indivíduos, seja porque você precise competir por dinheiro (energia) para adquirir o que quer ou por demonstrar um status maior pela simples possibilidade de parecer mais feliz que os outros.

Uma vez que somos redondos e lisos por fora e repleto de pontiagudos vetores de interesse por dentro, podemos imaginar que o nosso ego tem a figura de uma cajarana de superfície lisa e arredonda, mas cujo núcleo central é um caroço espinhoso, de tal forma que quem tentar adentrar essa superfície muito profundamente encontrará uma agressiva resistência, representada pelo sentimento de raiva. Cada “espinho” do caroço representa um VI. Como para cada VI estamos dispostos a um esforço distinto, maior ou menor, cada “espinho” possui também um tamanho diferente.

Há, porém, algumas diferenças nessa analogia. No caso do ego, a dimensão de cada “espinho” aumenta ou diminui de acordo a relação entre a força de vontade e a sua respectiva barreira. Se a vontade for pequena diante de uma barreira qualificada como intransponível, a tendência mais saudável é que ela diminua até sumir. É o que eu aconselharia ao Tiririca se ele quisesse uma noite de amor sincero com a Charlize Theron…

Muitas forças entram em ação diante dos interesses do nosso ego. Entre as principais há o estado emocional de fundo que, conforme definido pelo neurocientista Antonio Damasio, potencializa a nossa avaliação emocional dos eventos, tanto para o “bem” quanto para o “mal”. Se estamos irritados, por exemplo, cada espinho aumenta de tamanho, de maneira que quem contrariar determinado vetor de interesse, encontrará a resistência, o ponto de ruptura, mais acima, mais próximo da superfície da “cajarana”. Por outro lado, se estamos de bem com a vida ou mesmo apaixonados, relaxamos e os vetores de interesse podem se encurtar.

O problema é que estamos sempre muito mais predispostos a sentir raiva, em especial em situações de defesa de nosso suposto status, do que de procurarmos a paz e a afetividade entre as pessoas, que em geral significa a concessão de um espaço nosso, de generosidade, de igualdade de status. É como sempre digo à minha prole: “a raiva é a emoção mais barata enquanto o amor é a mais cara”. Sentir raiva é muito fácil, mas invocar o amor requer um esforço sempre muito maior, mas sempre vale a pena e é do que o mundo precisa.

Conclusões

Parece-me simples notar a interrelação entre os dois subtemas acima. O ego é desafiado a sobreviver e perpetuar-se por meio de descendentes. Logo, para manter-se íntegro e respeitado no seu meio social “defende-se” ou “ataca” conforme os outros egos interagem com ele. Para atender melhor essas necessidades tão básicas, e nos orientar mais facilmente, a sociedade humana evoluiu subdividindo-se em grupos mais específicos, menores, que podemos chamar de “tribos”.

Definida a tribo a que pertencemos, agimos com maior desenvoltura comportamental. Se adentramos em uma tribo muito diferente, rapidamente avaliamos se aquela situação está acima ou abaixo de nosso nível social e decidimos se ficamos – e nos socializamos -, ou se partimos.

A situação é mais complexa quando estamos em nosso grupo social, na nossa própria tribo. Em nosso cotidiano, seja na escola, no trabalho ou num grupo de amigos, estamos sempre alertas ao que os outros estão tentando fazer para se destacar acima de nós. O desconforto aparece porque, instintivamente sabemos que descer níveis representa uma potencial perda de respeito, significando uma ameaça ao nosso ganha-pão (sobrevivência) e mesmo à fidelidade de nossas companheiras (procriação). Desse jogo de interesses surgem os conflitos, tanto os de escala local quanto os de escala global. Difícil se contentar com a neutralidade. (Ver https://reestruturador.wordpress.com/2015/02/26/o-homem-universal/)

Engana-se quem acredita que o nosso cérebro trabalha somente por meio da lógica pura. As nossas decisões são fortemente afetadas pelas emoções, em especial aquelas onde os nossos interesses conflitam ou tangenciam os de outras pessoas. O orgulho, a vaidade e a arrogância, ao se misturar com a raiva, a repulsa, a inveja e a vergonha tornaram-se as principais emoções criadas pela natureza para lidar com essas situações. Desta forma, por exemplo, quando nossos algoritmos mentais identificam que algo está nos colocando em evidência acima dos outros, seja por qualquer razão – beleza pessoal, forma física, condição econômica, condição social -, emerge um sentimento de superioridade, que pode ser melhor descrito como orgulho ou vaidade. Ocorre que, se essa emoção transborda a ponto de ser notada por outras pessoas, estas, por sua vez, tenderão a se sentir inferiorizadas mediante a compressão de seu ego, o qual reage por meio da repulsa, da antipatia e da não aceitação. Ninguém gosta nem consegue se sentir bem, estando por baixo.

Um problema importante é o imenso desperdício em energia que empregamos em situações diagnosticadas de forma rasa pelo nosso cérebro. Esses recursos mentais, que foram criados para nos proteger em um meio selvagem, onde provar superioridade seria realmente uma questão de vida ou morte, modernamente criam situações ilógicas de tal maneira que frequentemente transformarmos a nossa vida em um inferno emocional sem a menor necessidade…

Saber perceber e qualificar aquilo que possa representar uma ameaça à nossa sobrevivência ou aos nossos interesses em geral é uma habilidade importante do nosso sistema sensorial e intelectual. Porém, quando observamos melhor o enorme conjunto de situações que vivemos no cotidiano, o que notamos é em verdade uma grande incompetência em perceber sua real amplitude, de forma que pudéssemos torná-los algo positivo ou aproveitável. O que mais vemos é a alimentação da arrogância, uma baixeza do ego, atraído pela competição banal, gratuita e infrutífera quanto a quem tem mais o quê. Pior, na maioria das vezes o falso ganho que pensamos ter quase nunca é algo realmente palpável, tratando-se apenas de vitórias fantasiosas.

A seguir elenco alguns exemplos onde somos vítimas ingênuas de nosso primitivismo, de nossa limitação analítica e emocional. O objetivo é exercitar em nós mesmos essas deficiências, o que nos dá a chance de atuar melhor na evolução da sociedade, no bem-estar e no respeito entre as pessoas, próximas ou não de nós.

  • Briga de casal – quem é casado conhece as disputas para ver quem tem razão sobre determinado assunto. Nessas horas ninguém quer ficar por baixo e parecer vulnerável. A todo momento procura-se elaborar argumentos que pareçam mais inteligentes que o outro para subjugá-lo e, metaforicamente, liquidá-lo. Mas, em ambas os lados, além da preocupação estratégica para vencer a disputa, outro fenômeno está em andamento: o ego se torna ainda maior e mais pontiagudo. Resultado? Ruptura emocional. O maior inconveniente em brigas crônicas de casal sobre quem detém o maior status é que este é o caminho contrário ao que deveria ser o objetivo de todo casal: tornar-se um só.
  • Separação de casais – nem sempre as amigas se sensibilizam quando uma moça se separa do marido ou namorado. É como se dissessem: “Eita! Essa aí se ferrou. Pelo menos ela não está melhor que eu…”. Não é à toa que escândalos sexuais e separações vendem tantos jornais – as pessoas tendem a se deleitar com a desgraça alheia.
  • Curiosidade mórbida – sempre que há um atropelamento fatal ou um assassinato as pessoas se aproximam e se acotovelam para ficar observando o cadáver. Alguém mais desavisado poderia imaginar que as pessoas estão ali preocupadas com o destino do falecido, mas em verdade acredito que a imensa maioria esteja lá se deleitando com a hipótese de estar diante de alguém em situação realmente pior que a sua própria. É como se dissessem: “Eita! Esse aí se ferrou. Estou melhor que ele…”. Não é à toa que notícias escabrosas de crimes vendem tantos jornais – as pessoas tendem a se deleitar com a desgraça alheia.
  • Separação de casais – nem sempre as amigas se sensibilizam quando uma moça se separa do marido ou namorado. É como se dissessem: “Eita! Essa aí se ferrou. Pelo menos ela não está melhor que eu…”. Não é à toa que escândalos sexuais e separações vendem tantos jornais – as pessoas tendem a se deleitar com a desgraça alheia.
  • Aluno que contesta professor dedicado – numa sala de aula é natural que se formem grupos, tribos, de maneira que os jovens se sentem compelidos a demonstrar uma atitude que lhe garanta o status de pertencimento ao grupo ou mesmo um destaque. Nessa linha, desafiar a autoridade máxima da sala, o professor, é como contar pontos em dobro nessa escala torta de prestígio. Um aluno que desafia a autoridade de seu dedicado professor não passa de um Zé Ninguém na verdadeira perspectiva da vida. Engana-se a si mesmo, apenas.
  • Colchão paraguaio – há muitos anos atrás, nós brasileiros comprávamos produtos no Paraguai que em verdade eram imitações fabricadas na China. Dada a sua baixa qualidade acostumamo-nos a atribuir a pecha de paraguaio a tudo o que não fosse bem feito. Como o Paraguai é um país subdesenvolvido, essa sensação de superioridade sempre nos fez muito bem. O problema é que não nos damos conta o quanto somos considerados inferiores a americanos, europeus etc.
  • Umbigo americano – a superioridade americana no campo econômico, militar, das ciências e tantos outros é inegável. Eles tiveram a sorte de fundadores esclarecidos e altamente inspiradores, enquanto nós… Embora haja mérito no colosso americano, é curioso observar que por se sentirem na terra prometida acreditam que o resto do mundo mereça viver no inferno. Bem, talvez seja devido a esse comportamento de regozijo do próprio status que atraia tanta inveja de grupos primitivos e atrasados, como o de radicais islâmicos. Se os EUA tivessem realmente foco em procurar meios de reduzir (via ações próprias, via ONU etc.) a sua diferença de status para outros países miseráveis, certamente seria visto com outros olhos.
  • Falsa intimidade com Deus – entre as maiores desgraças da relativização de status está essa maldita mania do ego humano de achar que sabe o que Deus pensa. Essa errônea avaliação de humanizar o pensamento divino tem levado as pessoas a guerras e conflitos intermináveis. Dispensável detalhar as confusões, grandes ou pequenas, tais como as Cruzadas, o terrorismo dos radicais islâmicos da atualidade, o evangélico que enche o saco com teorias inverossímeis, a exploração pelo pastor que procura trechos da Bíblia que validem o roubo consentido dos fiéis etc.
  • Brigas de gangues – Fico impressionado com a ideia das gangues (ou mesmo grupelhos escolares) se enfrentarem apenas para disputar a superioridade de um grupo sobre o outro. Observe que em geral não há disputa de qual grupo tem o melhor emprego, as melhores notas na escola, maior quantidade de diplomas, ou seja, não há disputa intelectual. A disputa é sempre quanto a quem é o mais forte. Há primitivismo maior que esse? Mais ridículo, impossível.
  • O novaiorquino – na cultura americana, especialmente em NY, há aquela sensação de que todos precisam mostrar “atitude”. É uma forma de se colocar como superior àqueles que, em sua visão, seriam medíocres. Ocorre que me parece muito claro que as relações humanas se beneficiam muito mais dos processos cooperativos, ou seja, daqueles casos onde a afabilidade atrai e motiva os grupos em torno de objetivos comuns. A pessoa que age assim me parece mais arrogante e infantil do que simplesmente uma “personalidade com atitude”.
  • Vergonha de perna machucada – conheço uma senhora de 77 anos que tem um pequeno ferimento na perna esquerda e precisa mantê-la enfaixada por recomendações médicas. Ocorre que ela tem vergonha de ir ao shopping porque alega que “estão todos olhando para a perna machucada”. Ora, para que se sente tão diminuída socialmente por causa de um pequeno ferimento? No fundo, seu instinto lhe diz que a aparência de um problema na perna a afasta de pretensos candidatos a casamento pois, na natureza, fêmeas que não pareçam saudáveis para procriação são desprezadas. Mas a inaplicabilidade lógica do caso dela não consegue se sobrepor à vergonha que sente.
  • Mudança diante de plateia – se alguém tem algum assunto particular a tratar com o seu chefe, faça-o em particular. Todos mudam diante de plateias objetivando parecer superior, logo, seu chefe sempre tenderá a parecer mais frio se houver outras pessoas olhando.
  • Pessoas que humilham prestadores de serviços, como domésticas, porteiros, garçons etc. – todos conhecemos casos de pessoas que, com o objetivo de se mostrarem superiores gostam de tratar os mais humildes com desprezo e superioridade. Particularmente, aos finais de ano, costumo agradecer a todos os que, ao longo do ano, me ajudam a proteger e a cuidar de mim dos meus familiares: porteiros, faxineiros, seguranças, garçons, mâitres. Se pararmos para pensar, em termos de estratificação social, somos também sempre inferiores a alguém, logo, por que nos deixarmos afetar por isso?…

Há ainda o argumento final de nossa pequenez cósmica.  Embora considere basilar o argumento de que não devemos nos sentir superiores pelo simples fato de que somos tão pequenos que não significamos nada para o universo, não gosto muito de usá-lo porque tem gente que simplesmente não alcança o seu significado. Para mim é suficiente a recomendação de assistirem a hilária e ao mesmo tempo brilhante apresentação no youtube do filósofo Mário Sérgio Cortella a respeito da pergunta “sabe com quem você está falando?”. https://www.youtube.com/watch?v=P3NpHryB-fQ

De resto, é torcer para que cada um encontre o seu próprio caminho evolutivo e que parem de bobagens.

Minha particular teoria científica para o fenômeno da premonição

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De acordo com reflexões pessoais, de maneira que não posso culpar ninguém por tamanha arbitrariedade, concluí que a emoção deforma o espaço-tempo na proporção de sua intensidade. Por isso acredito que é possível o fenômeno da premonição. Minha teoria deriva de:

1) tempo e espaço são indissociáveis (Einstein);

2) a consciência afeta as partículas elementares, logo, afeta a matéria (física quântica, ex: Brian Greene em ‘O tecido do Cosmo’);

3) toda matéria ocupa espaço, sendo, portanto, parte integrante do espaço-tempo – logo, qualquer evento que afeta a matéria afeta subsidiariamente o espaço-tempo em torno dela;

4) o sentimento (ou a emoção) é um poderoso subproduto da consciência – a diferença entre emoção e sentimento, de acordo com Antonio Damasio, é que este segundo é o estágio onde o primeiro ascende à consciência.

Assim: CONSCIÊNCIA (emoção) —> MATÉRIA <==> ESPAÇO-TEMPO (passado e futuro)

A ideia é que podemos imaginar que, se em algum momento no futuro sentiremos uma forte emoção (como exemplo algo sofrido, angustiante, ou mesmo empolgante), este estágio pontiagudo de consciência no “futuro” poderá deformar o tempo “ao redor” de si, tanto na direção do passado quanto do futuro (conforme diversos livros científicos, o universo não tem uma direção temporal absoluta). Uma emoção nos afeta mais no futuro (após o evento), parecendo assim ser mais intenso, porque ele é retroalimentado pela memória efetivamente constituída. Quanto ao passado, aquela emoção pode ser sentida de forma antecipada como um “eco” vindo do futuro, provocado pela deformação (um enrugamento da consciência?) no espaço-tempo decorrente daquela emoção.

Por meio desse raciocínio, portanto, acho que é possível pressentir antecipadamente eventos de grande impacto emocional, embora raramente se compreenda o que vai acontecer. A emoção não tem refinamento informativo. Inclusive, às vezes até me parece que algumas pessoas nascem com a percepção do que serão no futuro, tal a dimensão emocional de seus feitos quando adultos.

Para ilustrar um pouco essas ideias recomendo analisar os seguintes vídeos:

– experiência da dupla fenda: https://www.youtube.com/watch?v=GXAYW4a3OZY

– principalmente a partir dos 28 min em: https://www.youtube.com/watch?v=XHC9KVfVGPI

Em outro descritivo falarei do Código Vibracional Individual, que é o meio pelo qual pessoas intimamente ligadas podem sentir ou pressentir umas às outras, aproveitando parte do acima comentado.

Apenas 7 ministérios são suficientes!

PROPOSTA DE REORGANIZAÇÃO DOS MINISTÉRIOS DO BRASIL

Ricardo Negreiros, 04/06/2015 v.1

I – Introdução

II – A organização e o funcionamento dos ministérios

III – A organização e o funcionamento dos comitês operacionais   ____________________________________________________________

I – Introdução

O Brasil padece gravemente há anos da doença crônica do fisiologismo partidário, onde uma das principais ferramentas de compadrio e compra de apoio é a concessão de ministérios. Além do inchaço que a criação de ministérios provoca nas contas públicas, a indicação dos filiados políticos dos partidos quase nunca leva em conta a competência para o cargo. Com tantos interlocutores diretos ligados à presidência, é quase impossível exercer uma supervisão eficiente dos propósitos e do uso dos recursos arrecadados do contribuinte. Pior ainda são os casos onde o executivo principal é escolhido por sua habilidade como operador de falcatruas. É um raciocínio que serve igualmente do primeiro ao enésimo escalão. Aliás, em outra oportunidade espero também exercitar o mesmo modelo aqui desenvolvido para os casos de estados e municípios.

A proposta preliminar (e independente) que aqui desenvolvi, a qual pretendo levar para discussão com alguns amigos da área política, obviamente pressupõe que as indicações aos cargos de ministro devem contemplar reconhecida competência no tema. Penso que também se deva discutir prós e contras da eventual exigência quanto aos ministros serem, inclusive, funcionários de carreira de seu próprio ministério, mas isso fica para outro momento. Talvez submetê-los a sabatinas no Congresso, prévia e anualmente, seja também uma boa medida de controle de qualidade.

Nessa primeira versão não estão sendo também exploradas análises mais profundas a respeito do papel do Estado, em cuja discussão, e apenas como ilustração, eu já partiria propondo a privatização de BB, CEF, Petrobras e praticamente tudo o que pudesse ser delegado legitimamente para gestão da iniciativa privada. Como estamos delegando a debates futuros a decisão mais contundente quanto a um ou outro departamento ou secretaria são dispensáveis, neste presente esboço estou preservando vários órgãos apenas para funções estratégicas mais simples como monitoramento de um setor, apoio etc. Exatamente pela premissa de que devemos deixar de lado a pretensão do Estado de estar presente em cada detalhe da economia, já é possível intuir a redução de estruturas, e porquanto uma substancial economia na manutenção dos ministérios e de seus salamaleques e superficiais atuações, bem como maior rapidez e transparência nos processos decisórios.

Mesmo que à primeira vista pareça que aqui sugerimos apenas substituir o status do que antes era ministério para secretaria ou departamento, há vários ministérios que efetivamente deixam de existir. E os que mudam seu status para secretarias ou departamentos levam em conta uma grande redução de escopo. A ideia central é que não é razoável imaginar que um ministério como o da pesca tenha tanto assim o que fazer… O máximo a que o Estado deve se propor a envolvimento nessa ou em outra atividade deveria ser para facilitar o seu sucesso, e não para criar burocracias demoníacas… Portanto, pressupor a presença de bons técnicos e analistas no Estado para monitorar algum setor é algo aceitável, porém não mais do que meia dúzia deles, interagindo com o IBGE, SERPRO etc. Esse aprofundamento quanto à redefinição de escopo geral ainda não foi feito, mas pretendo um dia contribuir para o seu desenvolvimento. O resultado prático é a eliminação de cargos, gerando uma imensa economia para o contribuinte (dessa e/ou de futuras gerações), a eliminação de barreiras burocráticas para o empreendedor e maior agilidade nas decisões.

Essa é a visão final de nossa proposta, que tornaria o Brasil muito mais ágil, eficiente, respeitável  e econômico: 7 min v1

II – A organização e o funcionamento dos ministérios A forma como procurei reorganizar os ministérios tem como premissa básica a unificação de temas correlatos, reunidos nas poucas categorias que considerei essenciais para a gestão de um país com as dimensões e os desafios do Brasil atual. A forma de alinhar e organizar essas categorias é inspirada no método de meu livro Manual do Reestruturador de Empresas, especializada na reestruturação de empresas privadas, onde a rapidez das ações e a dinâmica da comunicação precisam caminhar em sintonia com as cadeias de comando, de forma a gerar eficiência em ambientes mercadológicos cada vez mais competitivos. Como o bem estar da população de um país está diretamente associado à sua competência econômica, é possível afirmar com grande tranquilidade que a adoção de raciocínio equivalente na organização do Estado lhe seja quase que totalmente aplicável. Assim, a presidência lida com uma quantidade muito menor de ministros, os quais, por sua vez, têm maior autonomia na interatividade entre departamentos que podem operar com grande sinergia de esforços. Conforme o agrupamento dos temas, chegamos aos seguintes ministérios:

1. Casa Civil – assim como em uma grande empresa, o executivo principal deve poder contar com aconselhamento estratégico e operacional específicos para o exercício de sua função, o chamado Conselho de Administração. (No caso de uma S/A o Conselho elege o presidente, enquanto aqui é o contrário, mas o objetivo de aconselhamento é basicamente o mesmo.) Em nosso modelo de Estado, este aconselhamento é capitaneado pelo ministro da Casa Civil, contendo as seguintes secretarias e departamentos:

  • Advocacia-Geral da União (inclui Direitos Humanos) – orientação jurídica
  • Controladoria-Geral da União – supervisão das finanças
  • Secretaria Geral (com Segurança Institucional) – coordenação de protocolos e da segurança da presidência
  • Secretaria das Relações Exteriores (Itamaraty) – estratégia diplomática e apoio comercial de empresas nacionais no exterior
  • Departamento de Assuntos Estratégicos (inclui Relações Institucionais e Comunicação Social) – debates políticos, relações com congressistas etc. Em um esforço de analogia com uma empresa corresponderia à sua área comercial, onde se concentra todo o esforço de comunicação (marketing) e de vendas; no caso da União, de suas ideias e propostas.

2. Ministério da Economia e das Finanças – assim como nas empresas, onde existe um CFO (chief financial officer) responsável pelo seu planejamento e controle financeiro, uma nação pode concentrar em apenas um ministério a confecção e o controle do seu orçamento, inclusive o monitoramento de sua moeda. O orçamento, por sua vez, precisa ser elaborado em consonância com as diretrizes de apoio ao desenvolvimento do país, precisando ser debatido especialmente com o ministério que trata do desenvolvimento sustentável. Ele conterá os seguintes departamentos:

  • Secretaria do Planejamento e Monitoramento
  • Secretaria da Fazenda – gestão da arrecadação e de gastos
  • Casa da Moeda e Tesouro Nacional – emissão de moeda e de títulos públicos
  • Banco Central do Brasil – monitoramento do sistema financeiro, controle da moeda e da dívida pública. Embora esteja hierarquicamente nesse ministério, a atuação do BCB é independente em seu papel de defensor do poder de compra da moeda brasileira.
  • Autarquias importantes:
    • CVM – monitoramento do mercado aberto
    • SFE (Secretaria de Fornecedores do Estado) – sugestão pessoal de autarquia nos moldes da CVM para o propósito de monitorar detalhada e tecnicamente as compras de produtos e serviços pela União.Autarquias importantes:

3. Ministério do Desenvolvimento Sustentável –  em uma empresa, o equivalente desse ministério é a área de produção (ou também denominada de “operações”). Aqui chamamos a atenção para o termo sustentabilidade. Sabemos que projetos sustentáveis precisam atender a três fatores de igual importância: viabilidade econômica, atendimento a necessidades sociais e respeito ao ambiente natural. Tendo em vista que todo e qualquer projeto de desenvolvimento, de qualquer natureza ou configuração, depende em algum grau desses três elementos, o conceito de sustentabilidade passa a ser incorporado automaticamente aos esforços gerais de desenvolvimento, representando um avanço conceitual que permitirá maior agilidade no desenvolvimento de projetos importantes. Este ministério, que terá como meta principal apoiar o crescimento econômico e sustentável do país, se subdividirá entre os seguintes setores:

  • Departamento da Agricultura, Pecuária, Pesca e Aquicultura – apoio ao desenvolvimento tecnológico dessas indústrias bem como monitoramento sanitário
  • Departamento de Infraestrutura:
    • Secretaria dos recursos hídricos e do saneamento básico (interage com DAN)
    • Secretaria de portos e transportes – ênfase no apoio ao desenvolvimento de malha viária, ferroviária e aeroviária
    • Secretaria das Comunicações – monitoramento estratégico do setor
    • Secretaria das Minas e Energia – monitoramento estratégico do setor
    • Secretaria do Trabalho e Emprego – ênfase na desburocratização do setor
    • Secretaria do Turismo – apoio institucional à indústria no país
    • Secretaria da Ciência, Tecnologia e Inovação – apoio estratégico à inovação e a novos métodos de produção das indústrias em geral
  • Departamento do Comércio Exterior – facilitação dos processos de exportação e importação
  • Departamento do Ambiente Natural (DAN) – monitoramento dos biomas e apoio à proteção de fauna e flora em geral, inclusive de animais domésticos
  • Secretaria da Micro e Pequena Empresa – apoio ao desenvolvimento do empreendedorismo

4. Ministério da Educação e Culturaesse ministério tem a função equivalente ao de Recursos Humanos de uma empresa que tenha foco no treinamento e no desenvolvimento de seus funcionários. O sucesso da força social e do desenvolvimento econômico de um povo são diretamente dependentes de sua formação intelectual, onde a cultura geral ocupa papel igualmente importante ao da educação na capacidade de compreender e interagir de forma eficiente com outras pessoas de qualquer lugar no mundo. Esse ministério terá apenas dois departamentos:

    • Departamento de Educação – desenvolver programas modernos e núcleos de estudos onde os alunos possam aprender de forma motivada e inspiradora temas realmente importantes para uso prático em suas vidas profissionais, desde a primeira infância até a faculdade. Considerando a dificuldade de prover ensino de qualidade sob gestão estatal, o Estado deverá testar sistemas alternativos de financiamento da educação, por exemplo, usando gradativamente o sistema de voucher. Deve haver grande foco na valorização profissional dos professores. Conveniente manter conexão estratégica com as redes públicas estaduais e municipais.
    • Departamento de Cultura – este departamento terá o propósito de apoiar as iniciativas culturais pelo país, porém cada vez mais retirando-se da função de gestora. Estará concentrada em apoiar e suportar o trabalho de formação intelectual dos jovens, de responsabilidade do departamento de educação.

5. Ministério da Saúde, Previdência e Segurança Alimentar – em uma empresa este ministério corresponderia à área de benefícios. Por ser um ministério dispendioso, sem natureza de investimento, deve operar segundo políticas muito claras quanto à real necessidade de seus beneficiados. No caso da bolsa família, por exemplo, deve ser implementada de forma provisória, para que não traga o vício da acomodação, em especial àqueles cuja faixa etária e condição de saúde lhe permitem trabalhar normalmente. Os departamentos são os seguintes:

  • Secretaria da Saúde – prover hospitais e atendimento médico de qualidade a toda a população necessitada. Deve manter conexão estratégica com as redes públicas estaduais e municipais.
  • Secretaria da Previdência – embora use os serviços e informações de arrecadação da Secretaria da Fazenda, seu papel é basicamente o de pagar pensões e aposentadorias nas regras oficiais, com grau máximo de governança contra fraudes.
  • Segurança Alimentar – departamento estratégico e altamente monitorado, responsável pela concessão da bolsa família. Atenção especial para não criar dependências e vícios ao programa.

6. Ministério da Justiça – esse ministério terá a função de interagir com o poder judiciário, ocupando-se em fornecer serviços à população por meio dos seguintes departamentos:

  • Departamentos de Polícia
  • Sistema prisional

7. Ministério da Integridade Nacional – apenas como analogia, em uma empresa esse órgão cuidaria da segurança e funcionalidade das instalações e das operações, bem como das relações da matriz com as filiais em diferentes regiões, preservando a unidade operacional da empresa. O ministro responsável por essa pasta gerenciará os seguintes departamentos, basicamente voltados para o monitoramento do território nacional:

  • Departamentos das Forças Armadas – Defesa da Constituição, territorial, ajuda externa a países aliados. Em caso de emergência, reportam-se diretamente à presidência. Há três departamentos separados, um para cada força.
  • Departamento do Interior – monitoramento de crises, tais como os assuntos relativos a calamidades (enchentes, secas etc.), reservas indígenas e mesmo habitação popular.
  • Departamento das Cidades – apoiar as matérias de interesse comum para o desenvolvimento e independência das diversas cidades do país.

III – A organização e o funcionamento dos comitês operacionais

Nas empresas privadas mais profissionais há organogramas cuja função é facilitar a visualização das diversas responsabilidades operacionais de cada área. Mas, naturalmente, há assuntos que demandam esforços conjuntos entre diferentes áreas. Para essas circunstâncias específicas constituem-se comitês, que podem ser temporários ou permanentes, de acordo com o objetivo pretendido. Embora não vejamos nos noticiários grandes iniciativas dessa natureza, deveria haver também no governo a iniciativa de constituição de comitês para potencializar esforços para programas com propósitos específicos. Considerando a altíssima taxa de cerca de 50 mil assassinatos por ano no Brasil, um bom exemplo seria a criação de um comitê para extinção de homicídios, afinal, a construção de mais presídios ou o aumento da força policial são somente paliativos para mais essa tragédia nacional. O foco deve ser na prevenção dos crimes, o que requer uma conexão muito maior das diversas esferas do governo, inclusive incorporando entidades da sociedade civil que já têm essa preocupação de colaborar. Uma sugestão para esse comitê seria conforme abaixo: comitê exemplo

P.S. Tendo em vista o contínuo aperfeiçoamento do texto, quem quiser receber versões mais recentes, peço que me solicite via email rjnegreiros@gmail.com. Obrigado.

A perspectiva de Hoag

(TEXTO EM DESENVOLVIMENTO)

Objeto de Hoag

O Objeto de Hoag é um aglomerado galáctico localizado a uns 600 milhões de anos-luz daqui, na Constelação da Serpente. O formato simétrico circular, onde várias estrelas anãs azuis se posicionam em ao redor de um grande objeto luminoso, não dá aos cientistas nenhuma pista de como aquela formação se desenvolveu, mesmo àqueles acostumados a avaliar galáxias resultantes do choque entre outras galáxias.

No livro “O Universo Inteligente”, de James Gardner, ele coloca em termos hipotéticos que, se tiver que existir vida inteligente no universo além de nós, o Objeto de Hoag tem alguma possibilidade de ser uma formação arquitetada por inteligências altamente desenvolvidas.

Alheio às conjecturas e dúvidas do assunto, gosto de lembrar do papo que tive sentado num botequim supermoderno em Hoag, discutindo, entre outras coisas, sobre o planeta Terra, que aparecia numa imagem holográfica suspensa no centro de nossa mesa:

– E aí, já foi lá, Etnop’an? Perguntei eu a meu novo amigo com o mesmo orgulho esperançoso de quando pergunto por aqui de Fortaleza, minha terrinha.

– Ainda não, estou esperando tirar umas férias. Ir em missão nunca é legal. Esse negócio de ficar fazendo relatórios e experimentos tira o prazer de qualquer viagem, respondeu Etnop’an.

Gendé’iman, querido amigo de longa data cuja carta publiquei no meu livro Entranhas em 2000, já bastante livre dos freios da diplomacia em virtude dos dois copos da maravilhosa cerveja cintilante (não é nome da marca, é o jeitão dela, mesmo), resolveu comentar:

– Olha, Ricardo, eu sei que você se orgulha das praias, do clima, do sol e tudo o mais do seu planeta, mas vou te contar uma coisa… ô povo enrolado vocês têm por lá…

Sabendo do meu genuíno temperamento autocrítico, e percebendo que eu já estava liberando o sorriso para receber pacificamente as pedradas, ele continuou:

– Nesse ano de 2014 não se falou em outra coisa lá a não ser em falta d’água, gente decepando gente, gente defecando incessantemente nas praias, regiões superdesenvolvidas separadas por muros invisíveis de outras muito subdesenvolvidas, de onde se quer fugir ao invés de desenvolver… Você sabe disso, Ricardo… E, pior, lá tem um monte de gente que diz que nada daquilo é problema dele, mas só anda de carro blindado, bota um monte de equipamento de segurança na residência para proteger os filhos, achando que vive numa ilha … Olha, num planeta pequerrucho (e fez sinal de miúdo com dois dos seis dedos), de clima e bioma espetaculares, com ¾ de superfície coberta de água, com os avanços tecnológicos caminhando a passos largos, eu não entendo como é que ficam batendo tanto a cabeça do jeito que batem… E riu também, enquanto o copo vinha-lhe, sozinho, mais uma vez à boca, sem precisar nem se reacomodar na poltrona…

Todo mundo sabe que em mesa de bêbado não se resolve nada. Taí o Lula e o Jânio Quadros que não me deixam mentir… Assim, não vou ficar aqui repetindo toda a conversa, mesmo sabendo que os cachaceiros de plantão, os viciados em tecnologia e as moças curiosas em saber como se vestem as hoagueanas estejam interessadíssimos em saber como fabricam a cerveja cintilante, que tipo de ressaca ela dá, como o copo flutua sozinho e muito mais de Hoag. Levaríamos dias e dias explorando deliciosamente a metade superficial e tola da minha experiência lá. O problema é que voltei para cá com um misto de envergonhado e também bastante estimulado com a ideia de mudanças.

Acreditem-me, olhando a Terra da perspectiva de Hoag as diferenças abismais da qualidade de vida entre as diversas regiões aqui me envergonham muito. Ok, em Hoag eles também têm regiões com hábitos culturais distintos entre si, o que pode algumas vezes parecer ao mais desavisado que uma região viva melhor que outra, mas a verdade é que todos estão satisfeitos com as diferentes classes sociais resultantes da diversidade das ocupações das pessoas, e com hábitos culturais de sua própria região.

O desenvolvimento geral da vida em Hoag, desde os seus primórdios, foi muito distinto da Terra. Por condições específicas da atmosfera e da geologia locais, os vegetais comestíveis se desenvolveram em maior diversidade e abundância, permitindo que o metabolismo para extração de proteínas fosse muito menos complexa que aqui na Terra. O primeiro resultado foi que, embora a disputa por espaço naturalmente levasse a conflitos, a concepção de predador tornou-se muito diferente do que conhecemos hoje. A ausência da disposição ao conflito carnal permitiu que muito antes de nós as sociedades se tornassem mais cooperativas entre si, acelerando o desenvolvimento geral. Ao longo do tempo passaram por muitas experiências, inclusive a tentativa de subjugação por invasores de outras galáxias, as quais tiveram que se render ao poderio tecnológico e filosófico de Hoag.

Olhando de lá, de tão longe, da perspectiva de Hoag, me dei conta do quanto somos pequenos e atrasados. E solitários em nossa ignorância.

A verdade é que hoje em dia quando me chamam de lunático acho até graça…

O Homem Universal

Todas as vezes que tento imaginar um mundo melhor esbarro na definição do que seria um mundo bom para todos. Há muitos gostos e culturas diferentes repartidos pelos corações de 7 bilhões de pessoas. Para facilitar o meu raciocínio precisei mergulhar na alma humana e tentar descobrir o que poderia representar a felicidade para todos ou para qualquer um de nós.

A resposta que desenvolvi está no quadro abaixo e o teste de ênfase que criei é: se retirar qualquer um dos itens da primeira coluna e ainda assim o indivíduo permanecer feliz, significa que não é essencial.

Detalhe: demandas do gene e do ego se misturam mas acho que assim fica mais didático.

homem universal v2