Prioridade: Crack S.A ou um Governo Catalisador de Empreendimentos Inspiradores?

Nesta primeira semana de fevereiro o Ministro Barroso sugeriu a liberalização de drogas, a começar por maconha e cocaína, como forma de reduzir a violência nas cadeias. Argumenta que se gastam bilhões de reais e a situação só piora.

Não gostei da simplificação proposta pelo ministro e procuro aqui explicar melhor a minha inquietação, em relação à sociedade em que vivemos. Por meio de tópicos talvez fique mais claro:

I – Premissas pessoais:

Não consumo nem nunca consumi, mas não tenho nada contra quem consome. Para mim, o consumo em si não é um problema moral. Preocupo-me com o que um drogado pode fazer de prejudicial a outrem e de alguma forma também a si como importante potencial de contribuição à sociedade.

II – Premissas técnicas das drogas:

  1. Drogas podem viciar e, a depender de vários fatores, podem prejudicar seriamente neurônios e sistemas mentais.
  2. Drogas alteram a percepção sensorial e julgamento, o que pode dar prazer. Algumas delas podem tornar as pessoas agressivas e inconsequentes.
  3. Drogas nem sempre viciam. Fala-se em “apenas” 15% de quem experimenta. Logo, há quem as consuma apenas como recreação.
  4. A famosa experiência da Ratolândia nos anos 60 foi elaborado com dois grupos de ratos – (A) um confinado em solitárias e outro (B) em amplos espaços com recreação. Ambos tinham disponíveis doses iguais de drogas potentes, tipo heroína. Uma conclusão rápida que pode ser melhor observada no link a seguir, é que os ratos que tinham uma boa vida recusavam-se a se viciar enquanto aqueles sem perspectiva se drogavam muito mais, às vezes até morrer. http://www.stuartmcmillen.com/comics_pt/ratolandia/
  5. Acredito que a experiência da Ratolândia tenha validade técnica pois preserva os conceitos de Antonio Damásio quanto ao que uma pessoa pode fazer a partir do seu “estado emocional de fundo”. Logo, se um indivíduo adulto tem o ego bem construído e toda uma estrutura firme quanto a propósitos na vida, tem melhor consciência e controle para não arriscar demais sua vida por conta de prazeres momentâneos. Por outro lado, um ego em formação, como o de jovens, é naturalmente mais frágil. Sendo esse jovem alguém sem perspectiva de crescimento intelectual, social, econômico e profissional, podemos assumir que seja alguém ainda mais frágil perante a potencialidade do vício.

III – A difícil realidade da juventude carioca:

  1. Todo jovem gostaria de obter sucesso social e econômico.
  2. O Rio, capital do Estado, tem cerca de 6,4 milhões de habitantidade-ibgees.
  3. Cerca de 10% da população, ou meio milhão de jovens entre 15 e 24 anos, não trabalha. Ainda que alguns não precisem, é razoável assumir que a imensa maioria precisará um dia trabalhar, seja como empreendedor ou como empregado.
  4. Não há emprego para todos nem perspectivas de melhora atualmente. Além dos problemas atuais, altas taxas de juros e cargas tributária e trabalhista insuportáveis impedem a proliferação de empreendimentos saudáveis no Rio e no Brasil.
  5. A perspectiva do jovem carioca atualmente assemelha-se mais à angústia sentida pelos ratos confinados, grupo (A). Muita gente boa exposta e fragilizada diante do risco do vício em drogas. Acredito ser possível associar ideias e concluir porque há tanta criminalidadej praticada por jovens no Rio e, por extensão, também no Brasil

 

 

IV – A realidade dos empreendimentos de consumo de massa:

  1. Todo empreendedor tem o direito de ficar rico
  2. Abrir o capital e ganhar centenas de milhões de reais, ou mesmo bilhões, num IPO da bolsa de valores é o sonho de todos.
  3. Legalizando o comércio de derivados de cocaína poderá haver muitas pessoas criando empresas de drogas de derivados de cocaína. Algumas poderão ser pequenos quiosques. Vamos imaginar aqui a Crack Ltda. seja a mais preparada.
  4. Um dos maiores investidores da Crack Ltda. poderá ser o “laranja” de algum facínora hoje preso por tráfico. Aliás, seus principais executivos poderão ser os seus atuais comparsas, pois dominam o processo produção de distribuição e conhecem bem o mercado, inclusive os clientes.
  5. Um dia a Crack Ltda. poderá querer consolidar o mercado de venda de cocaína e derivados capitalizando-se via ações em Bolsa – via IPO. Torna-se a Crack S.A.
  6. Dona Toninha é uma costureira séria e trabalhadora, que se preocupa com investimentos para sua aposentadoria. Ela ouviu falar do lançamento de ações da Crack S.A. e lhe disseram que dará um retorno maior do que 30% ao ano. Ela toma conhecimento que a empresa dará esse imenso retorno porque crescerá em virtude de seu agressivo plano de expansão.
  7. O plano de crescimento da Crack S.A. prevê vendas em farmácias, bares, lanchonetes, supermercados etc. Os acionistas irão querer que se invista em boas disposições nas prateleiras, da mesma forma como os cigarros estão hoje – no caixa. Então é preciso imaginar que a criançada, inclusive as nossas, que for comprar um Cebion na farmácia ou um chocolate nos pontos de venda, irá encontrar cocaína em grande destaque na melhor gôndola ou prateleira, ainda que com o aviso “faz mal”. Mas é perfeitamente natural que os acionistas torçam cada vez mais pelo aumento das receitas, ou seja pelo aumento do consumo de drogas da população em geral.
  8. Dona Toninha tem um dilema moral – é isso que ela quer para a sua cidade, para o seu país? Mais e mais pessoas viciadas em drogas (15% de seus consumidores, conforme assunção acima)?

Parece-me que o caminho da legalização é algo realmente inevitável. Porém acredito que mais importante que falar disso agora é discutir sobre como levar os nossos jovens a sonhar com objetivos realmente engrandecedores para o seu futuro, ao invés de gastar tempo apenas em explicações quanto aos malefícios das drogas.

Penso que toda a energia atual deveria se concentrar na emergencial necessidade de alocação da mão de obra juvenil do nosso país em empreendimentos inspiradores e lucrativos, que permitam a todos realmente sonhar e conquistar dias melhores. A ter esperança. É preciso que o Governo seja um catalisador dessa iniciativa, que precisa mobilizar toda a sociedade.

Insisto que não cabe a um servidor público de grande exposição colocar as coisas da forma como o Dr. Barroso fez. Considero desleixo e irresponsabilidade.

Há muito mais para se discutir.

Ricardo Negreiros

Anúncios

A importância do monitoramento crítico

madre-teresaAinda que Madre Teresa de Calcutá pudesse exercer a Presidência da República, com a sua reconhecida pureza de alma, reputaria como imprescindível que preservássemos sempre um cuidadoso monitoramento crítico sobre o seu trabalho.
Amigos mais à direita me surpreendem com um interesse firme em defender as posições mais esquisitas de Donald Trump, irritando-se com quem os contradiga. Isso me lembra muito a idolatria esquerdista a Lula. Quanta perda de energia, pois todos estamos sujeitos a erros (não intencionais) ou irregularidades (intencionais).
Não tenho admiração pela figura pessoal de nenhum político ou servidor público, seja Lula, FHC, Temer, Aécio, Alckmin, STF, Polícia Federal, Ministério Público ou qualquer outro. Admiro apenas o que fazem de certo, observando-os atentamente.
República e Política não são brincadeiras de torcida por time de futebol. Há muito mais em jogo. Há tudo.

Ne Nuntium Necare

globo-ne-nuntium-necareAntigamente a esquerda botava a culpa de todas as mazelas do mundo na mídia, especialmente na Globo.

Agora a direita bota a culpa de todas as mazelas do mundo na mídia, especialmente na Globo.

Vamos parar com essa bobagem? Publiquemos as nossas verdades aqui, em blogues e em vlogues. Cativemos as atenções com a nossa verdade, com análises e propostas interessantes.

Paremos com os ataques e rótulos aos profissionais da mídia, estejam eles certos ou errados em sua humanidade. Lembremos que, se há um problema, está sempre no noticiado. Jornalistas podem errar em suas análises e opiniões tanto quanto podem os nossos melhores mestres e professores.

Não mate o mensageiro.

P.S. A Globo realmente derrubou o PT no domingo (17/4/16) de votação do impeachment na Câmara. Bonner pressionou os deputados, expondo-os o dia inteiro. Só por isso sou grato à Globo, ainda que provavelmente ali fosse uma luta particular, de vida ou morte. Se o PT ficasse no poder, um dia iriam fechar a Globo.

Ainda que haja uma linha editorial do veículo para uma direção ou outra ocasionalmente, acredito que devamos nos concentrar na informação em si e tirar as nossas próprias conclusões. Um jornalismo livre é fundamental para a democracia.

Quero apenas poder contar com os veículos de comunicação que prezem e trabalhem por um país livre da corrupção. Não gostou? Mude de canal, mude de revista.

A bela visão do Papa Francisco sobre a proteção de animais e do ambiente natural

Acabo de ler a encíclica “Laudato si” do Papa Francisco, de 2015.
É uma obra belíssima, que retrata a inteligência e a perspicácia do papa num dos temas mais importantes da atualidade: a responsabilidade do ser humano diante do ambiente natural em que vive.
Apesar de divergir de algumas opiniões dele em tópicos de caráter econômico e outros quanto à natureza humana, reconheço uma genuína e lúcida preocupação com o nosso mundo.
Chamo a atenção para sua bela abordagem quanto à dignidade dos animais, assunto que me preocupava por chamar-se Francisco.
Discordo da reclamação dele (2016) de pessoas cuidarem mais de animais em detrimento a outras pessoas. Ele não quer aceitar que ajudar a outras pessoas requer um grau de doação que muitas vezes não é possível a um indivíduo comum. E os animais, por sua imensa fragilidade, são muito mais frequentemente submetidos a crueldades.
Creio que aposta demais na humanidade, esquecendo os fatores evolutivos intrínsecos que leva a nossa espécie a pensar sempre primeiro em si e muito pouco nos outros. É da nossa natureza. Penso que deveria reconhecer isso e rezar para que a transcendamos.
Parece-me muito difícil ainda para muita gente perceber e aceitar o quão primitiva ainda é a nossa espécie, a nossa sociedade global.
De qualquer maneira, essa encíclica é um importante avanço para a religião e para a filosofia.


https://m.vatican.va/content/francescomobile/pt/encyclicals/documents/papa-francesco_20150524_enciclica-laudato-si.html

Um pouco do que sou, por Ricardo Negreiros

Oceania

Sou casado há 32 anos, dois filhos e três netinhos. Minha vida tem sido totalmente dedicada à minha família. Eu e minha mulher Aparecida, uma formidável protetora de animais reconhecida internacionalmente, temos dedicado o nosso tempo e energia para tentar construir um mundo melhor, no limite de nossas competências.

Nasci em 1963 em Fortaleza. Meus pais se separaram em 1972, quando eu tinha nove anos e minha irmã três. Fomos morar num sítio nos arredores da cidade, onde não havia água encanada nem energia elétrica. Embora o choque de sair da Aldeota e mudar de escolas de primeira linha para escolas públicas, lembro-me com muito carinho dessa época. Mesmo com o estômago roncando, as coisas são sempre bem mais fáceis quando se tem o amor incondicional de mãe e avó por perto.

Em 1975 minha mãe vendeu o sítio e viemos para o Rio. Com pouco dinheiro e nenhuma experiência profissional, por alguns anos vivemos de biscates e das dificuldades de pagar o aluguel. Assim moramos e saímos rapidamente (risos) de Copacabana, Botafogo, Meier, Encantado, Piedade, Engenho de Dentro e Rocha Miranda, sendo esse último endereço uma espécie de porão com o chão úmido de esgoto. Nesse período trabalhei no que podia, como vender pastéis (horríveis) no Maracanã, fazendo faxina, panfletando na rua, dando reforço de aula enquanto a minha mãe trabalhava de manicure e fazia bolos e salgados para a vizinhança.

Em 1979 entrei no Citibank como office boy. No final daquele ano passei em primeiro lugar em Engenharia Civil na Souza Marques. Sem dinheiro para as mensalidades, o banco pagou toda a faculdade, onde me graduei em 1985 em Cálculo Estrutural.

Em 1987 entrei na área de auditoria da Arthur Andersen, que também custeou Ciências Contábeis na FASPA, onde me graduei como contador em 1991. Em pouco mais de dois anos de experiência e alguns cursos nos EUA e Argentina, tornei-me encarregado de campo na auditoria de importantes instituições financeiras, como as do Grupo Sul América, a financeira Losango e o incipiente Banco Pactual, que na época demandava ainda grande necessidade de organização.

Fui convidado para assumir a controladoria do Pactual em 1990, aos 26/27 anos, e por lá fiquei dez anos. Gradualmente modelei a parte administrativa do banco para permitir a completa consistência dos dados e a transparência dos números. Um período de muita atividade e também intenso de experiência e aprendizado, incluindo o MBA de Finanças do IBMEC concluído em 1994, também pago pelo banco.

Naquele período fiz parte de comitês na Febraban, BM&F e nas antigas Andima e Anbid, sendo envolvido em toda a sorte de discussões sobre legislação regulatória e fiscal com Banco Central e Receita Federal. Em virtude da minha crescente especialização em governança, o Pactual me convocava para tudo o que demandasse essa expertise, principalmente nos projetos de Fusão e Aquisição.

Com o tempo ficou clara para mim a grande carência de conhecimentos financeiros e administrativos nas empresas brasileiras. Percebi que toda quebradeira tem sempre um ponto em comum: a falta de governança, de monitoramento, organização e de transparência para os próprios donos.

O ambiente intelectual em um bancos de investimento é do mais alto nível. Mas trabalhar em estruturas luxuosas e lidar com colegas graduados nas melhores faculdades do mundo, em um setor que não conhece dificuldades financeiras, não nos torna apropriadamente sensíveis à realidade econômica, ao dia a dia de um empreendimento comum. Ao contrário, tudo nos parece bem mais fácil do que realmente é. São muitos os exemplos de problemas decorrentes dessa falta de experiência. Basta ler as histórias nos jornais e revistas especializadas. Portanto, apesar da experiência profissional em bancos sofisticados, queria aprender mais sobre o setor real da economia.

Em 2000 fundei a RN Executivos, uma empresa que até hoje tem apenas sócios e nenhum empregado. Acredito no poder das soluções negociadas e na cooperação mútua sem que seja preciso forçar as pessoas a trabalhar sem entender ou concordar com o que fazem. Nesses 16 anos de atividade nos tornamos reconhecidos como profissionais de alto desempenho. Atuamos em diferentes projetos de melhoria e de recuperação, sempre focados em resultado e cooptação das pessoas para objetivos comuns. Ajudamos dezenas de empresas nos mais diversos segmentos da economia a lançar ações em bolsa de valores, a serem vendidas para outros grupos, a melhorar os seus resultados e mesmo a sair do maior sufoco. É um trabalho feito em conjunto com os donos e profissionais locais, onde nos colocamos apenas como aqueles indivíduos que materializam os interesses estratégicos dos acionistas. Temos um jeito forte e determinado a melhorar a organização e a cultura de governança do empreendimento para que conquiste solidamente os espaços do seu mercado. Somos os profissionais que também ajudam a instalar nos grupos familiares o valor do reconhecimento meritório pelo que fazem os seus colaboradores. Que os ajudam a concentrar energia para obter resultados saudáveis e a perenização do empreendimento. Adotamos a postura mais discreta possível quanto ao nome de nossos clientes exatamente por entender que eles, com seus colaboradores, são os verdadeiros realizadores do sucesso, e que não faz o menor sentido atrair qualquer tipo de protagonismo. Para quem quiser saber um pouco mais sobre o meu trabalho recomendo pesquisar no Google, onde há bastante material. Eis, por exemplo, uma das minhas palestras na Endeavor: https://www.youtube.com/watch?v=YrS8ZAQRrwY. Segue também aqui o resumo de algumas entrevistas: https://www.youtube.com/watch?v=_QLAOUWCJaI

Bem, isso resume o meu lado profissional. Graças a Deus, definitivamente consolidado. Mas não julgo satisfatório me dedicar apenas a perseguir mais e mais sucesso e dinheiro. Em 2002 escrevi o livro “Carta para meus filhos, construindo o futuro” onde manifestei a importância de se conquistar realizações de maior significado. Então, vamos falar de algumas outras atividades:

– Preocupado com o volume de empresas com dificuldades no Brasil, e objetivando a disseminação de nossos consolidados conceitos de gestão, em 2010 lancei o livro “Manual do Reestruturador de Empresas”, já esgotado nas livrarias. Preciso lançar a segunda edição.

– Preocupado com a má qualidade de vida do cidadão carioca, em 2015 lancei, em conjunto com um grupo maravilhoso de jovens profissionais colegas do Partido Novo, o Projeto Reinventando Cidades (#reinventandocidades), uma abordagem inteiramente nova de ver e administrar as nossas cidades. O projeto é uma adaptação da minha experiência de quase 40 anos em projetos desafiantes da iniciativa privada em material político de natureza prática. Já estamos atuando com dezenas de colegas de outras cinco capitais e quase vinte cidades, enquanto escrevemos o livro onde apresentaremos a nossa abordagem: “Reinventando Cidades – um guia para a reestruturação de municípios”. Ele conterá praticamente um plano de governo para o município do Rio de Janeiro, contendo diagnóstico e plano de ação para Saúde, Educação, Segurança, Infraestrutura, Desenvolvimento Sustentável e Reorganização Administrativa. Já no início propomos a redução de 30 para apenas 8 secretarias operacionais.

Acreditamos firmemente que uma cidade pode ser gerida de acordo com os princípios de governança e foco em resultado da iniciativa privada, ou seja, na entrega de serviços e produtos de qualidade e custos apropriados ao cidadão-cliente. Em 27 de fevereiro fizemos um workshop que foi postado em oito vídeos na internet, a começar pelo https://www.youtube.com/watch?v=4avBaHprnJ4 . Os demais estão bloqueados apenas para quem quiser participar do projeto.

– No meu blogue https://reestruturador.wordpress.com/ deposito e exponho as minhas principais reflexões conceituais e filosóficas. Considero-me uma pessoa simples e despretensiosa, o que confunde um pouco quem não me conhece. Mais que falar de sucesso, negócios ou política, tenho preferido mergulhar na análise da alma humana, procurando desvendar onde tudo se inicia. Tenho fascínio por tentar capturar e divulgar as minhas conclusões de uma maneira simples e prática, ressaltando a grandeza e a importância da vida. A partir dessa motivação essencial, e inspirado no trabalho de minha mulher, em 2011 lancei o projeto Life Defenders sobre proteção de animais. A primeira peça de teatro já foi encenada no Mato Grosso. Faltam publicar os dois primeiros livros já escritos. Vale uma olhadinha no clipe do projeto em https://www.youtube.com/watch?v=kZ1VlAyNk2I.

Creio já possuir maturidade e experiência suficientes para trabalhar em qualquer desafio de transformação, seja em um empreendimento público ou privado. A partir do método de trabalho que desenvolvi como reestruturador, acredito que posso realizar um trabalho bastante inovador em atividades governamentais. É preciso atuar corajosa e firmemente contra a ineficiência, o desperdício e os desvios da administração pública.

Estou sempre à disposição para colaborar de forma determinada na construção de um Brasil melhor.

 

 

Minha concepção da “Real Realidade” na busca pela verdade

labirinto-circular-13179989

A revista Época publicou discretamente em 2/11/15 uma notícia de extrema importância do ponto de vista científico, filosófico e religioso: a comprovação da não localidade do universo, contrariando rabugices do grande Einstein. Prova entre muitas de que, em minha modesta opinião, a ciência está ainda muito longe de compreender como surgimos e o que diabos estamos fazendo por aqui. É mais uma marretada na arrogância dos que se supõem conhecedores da vida, como o Sr. Richard Dawkins.

Há cerca de 2.500 anos o filósofo Platão observou que havia uma ignorância dependente da percepção humana. O mito da caverna de Platão retrata o seu exercício imaginativo de alguém preso em uma caverna, que conhecia o mundo apenas pela projeção das sombras em suas paredes. Sombras de estátuas, por exemplo, lhe pareceriam pessoas imóveis e nessa linha de raciocínio teria uma visão altamente restrita do que é o mundo na verdade. Apontava, assim, que as pessoas se enganavam em suas avaliações e conclusões por limitações do seu campo de visão ou de análise.

Atualmente é possível acrescentar outros elementos à brilhante conclusão de Platão quanto ao ponto de vista do prisioneiro. De fato, é comum cometermos erros de todos os tipos em decorrência da nossa ignorância sobre os assuntos com que lidamos. Contudo, há a necessidade de avaliar também se de fato temos a competência para tal percepção. Ou seja, podemos não conseguir perceber algo por restrições ao nosso intelecto, pela falta de determinado tipo de conhecimento. Por exemplo, nem todo mundo compreende a grande correlação entre a alta do dólar e a inflação. Podemos encontrar ossos de aves extintas num parque florestal e acharmos que são ossos de galinha… Enfim, os exemplos do nosso cotidiano podem ser inúmeros.

Mas a nossa limitação intelectual pode ser suprimida pelo aprofundamento e pelo estudo de um determinado tema, porém ainda assim haverá pessoas que por mais que leiam ou estudem não encontrarão as respostas mais elementares. Isso porque a grande maioria de nós tem aptidões específicas para temas, como é o caso dos advogados por leis, físicos por matemática, médicos por biologia etc. Se trocarmos tais profissionais por diferentes aptidões teremos um monte de gente inteligente extremamente confusa…

Há ainda outro tipo de deficiência, de natureza muito mais grave. São as deficiências neurológicas, que alteram completamente a percepção do mundo, impedindo que as conclusões aparentemente mais lógicas sejam impossíveis de atingir. A ciência ainda está engatinhando na direção do aprendizado a respeito de como a mente funciona, e sua especialidade ainda é basicamente diagnosticar as consequências sintomáticas, e não as causas biológicas, mas é útil sabermos identificar patologias como:

  • Autismo – dificuldade de compreender a comunicação social
  • Agnosia facial – não reconhece rostos. Agnosia em geral pode acometer outros sentidos.
  • Esquizofrenia – dificuldade em distinguir o imaginário (delírios) da realidade
  • Dislexia – dificuldade para interpretar a leitura

São muitos os exemplos de anomalias, mas o que considero importante é o autorreconhecimento de nossas próprias deficiências, seja as de uma ou de outra natureza, inclusive circunstanciais, como nas vezes em que avaliamos algo sob forte emoção. Já que não podemos fugir de nossa humanidade, de nossas limitações, penso que o mais importante é que deixemos de lado a arrogância que nos leva a achar que apenas nós estamos certos sobre determinado assunto. Penso que devemos nos acostumar a escutar mais o outro e compreendê-lo em suas idênticas limitações.

Costumamos encontrar grandes confusões, com resultados trágicos, no cotidiano quanto a essa mistura intensa entre realidade, percepção e competência de análise. É o caso, por exemplo, do Exército Islâmico, que resolveu acreditar que conhece profundamente os intrincados desejos de Deus. Lula também deve achar que o que cobrava da Odebrecht era justo pelo que achava que fez pelos pobres. Enfim, cada doido…

A verdade parece ter várias faces, mas isso também não é uma verdade. A verdade costuma ser uma só, a que apelidei de “real realidade”. O problema é que ela costumeiramente se esconde abaixo de muitas camadas de informações, sutilezas, interpretações e limitações, onde parece repousar irônica e desafiante no meio de um intrincado labirinto.

Acho que a única saída para frustrá-la em sua arrogância e superioridade inatingível é diante das grandes questões não desistirmos de encarar de pé as tortuosidades de seu labirinto, repetindo humildes no caminho o que o mestre de Platão, Sócrates, nos ensinou: “Só sei que nada sei”. E completar: “Mas não vou desistir”.

Ensaio sobre a Vaidade, a Soberba, a Raiva e a Vergonha mediante a exploração de dois conceitos: a “Relativização de Status” e a “Incompressibilidade do Ego”

STATUS E EGO

v.15/10/15

Olhando o universo de forma menos emocionada, de uma perspectiva científica, ele é absolutamente frio e sem propósito. A partir dessa premissa – que não é a minha, mas a forma de ver da ciência atual -, a vida é sem sentido, embora persista e evolua estranhamente aqui nesse minúsculo planeta há bilhões de anos.

O sucesso da vida na Terra se ampara em dois vetores, sobrevivência e reprodução, os quais, não por coincidência, são os principais impulsos nos animais, pois têm como meta a perpetuação de seus genes. Para atingir os seus frios e firmes objetivos, a natureza dispensou a criação de regras morais, logo, se um macaco facilitar, o outro lhe rouba a comida. O mesmo ocorre com o sexo, onde não se dá muita importância ao falatório da vizinhança, mas somente se há ou não atração física e disponibilidade.

A partir apenas desses dois objetivos básicos – alimentação e procriação -, podemos explicar uma imensidão de comportamentos humanos do nosso cotidiano, todos amparados no que conceituei como “relativização de status” e “incompressibilidade do ego”. Ao final desse texto veremos como ambos se entrelaçam para formar a maior parte da nossa infraestrutura emocional e sua influência em nossa forma de pensar e se comportar.

A relativização de status

Imersa em um ambiente totalmente desprovido de compaixão, a mente de um animal precisa possuir recursos instintivos de estratégias de sobrevivência. A necessidade de comer, de obter energia, nos faz desejar territórios de caça e estoques de alimentos. Especialmente nos mamíferos a natureza forneceu um claro sistema de avaliação para ser usado ao longo de suas andanças, no pasto, na procura por frutas ou parceiros, durante a caça etc. Por meio de rápidos algoritmos mentais, que permitem avaliar se se está diante de um predador, de uma presa, ou mesmo de alguém neutro, a maior parte dos animais superiores – onde insetos não contam -, tem a capacidade de avaliar se o outro é de sua mesma espécie, se é maior ou menor que ele mesmo, se lhe parece agressivo ou venenoso etc. É uma avaliação praticamente instantânea, mormente guiada pela visão e olfato, que lhe força à decisão de ficar, lutar ou fugir, sem perda de tempo.

Como não identifiquei nas minhas aleatórias leituras científicas uma referência a esse tema, apelidei esse mecanismo de “relativização de status”, definido pela capacidade praticamente instantânea do cérebro de analisar o potencial geral do que está à sua frente – se é uma ameaça, uma vítima, ou mesmo alguém parecido consigo. Se estamos falando de uma espécie animal diferente, a pergunta adquire uma conotação específica: é aquele outro animal um feroz predador, uma frágil presa, ou apenas mais um inofensivo vegetariano? Se for da mesma espécie animal, o encontro pode resultar numa disputa por território, numa disputa por fêmea etc. Neste caso, cada parte precisa saber avaliar o risco do confronto, pois mesmo entre vegetarianos uma luta pode ser mortal.

Na natureza, a análise dessas circunstâncias tem muito a ver com a aparência, com o lado físico de cada animal, como o seu tamanho e/ou as habilidades de luta ou fuga intrínsecas à sua espécie. Interessa-me aqui, porém, a exploração desse tema nos tempos atuais e do quanto se parece com o mundo selvagem. Atualmente continuamos precisando trabalhar para nos alimentar e procriar, tal como os primeiros vertebrados sexuados começaram a fazê-lo há centenas de milhões de anos atrás. Analogamente, para o homem contemporâneo, dinheiro é o que territórios de caça e pasto, e seu potencial alimentar, significavam para os nossos antepassados. Dinheiro é pura energia para a sobrevivência. E quanto mais o temos, melhor, pois igualmente aumentam também as nossas chances de procriação. Da mesma forma como comparar tamanhos na natureza é uma necessidade para se determinar a posição na cadeia alimentar, comparar sinais de quem tem mais ou menos dinheiro também é uma necessidade moderna para analisar a posição social de quem está diante de nós. Não à toa, ir a uma reunião em São Paulo usando um Rolex de R$30 mil no pulso pode dar ao interlocutor uma ideia de posição socioeconômica do seu usuário.

Nesse jogo de regras duras pela sobrevivência, a capacidade de um animal perceber, ou mesmo compreender, quais as intenções dos outros, é também uma vantagem competitiva importante. Quanto mais sofisticada a mente dele, mais códigos comportamentais, como medo, tensão, hesitação e ansiedade, podem ser identificados, interpretados e transformados em pontos a favor. Daí a tendência, em havendo alguma chance de vitória em um confronto físico, de que cada animal se comporte como sendo o mais capaz. Em sendo da mesma espécie num mesmo grupo social, onde normalmente há um macho alfa, o potencial de vitória de um animal em um conflito interno determina a sua posição hierárquica. Em algum momento, cada animal experimentou ou observou que não se deve se indispor com o líder, em geral um grande lutador.

Conforme comentamos no início, os cérebros dos animais, inclusive os nossos, não vêm com instruções morais. A única competência que as mentes possuem é o de refrear impulsos inadequados. Essa competência é desenvolvida ao longo do tempo pelo aprendizado em situações onde as consequências foram ruins para a sua própria integridade física. Aquilo que interpretamos como regra moral, portanto, nada mais é do que o fruto das relações em sociedade, onde a conveniência de respeitar a liderança se evidencia cada vez mais ao longo do tempo.

Considere um leão nas savanas. Ele possui um território demarcado (muitas vezes por urina) cujo limite é um espaço reclamado por outra família de leões. Isso vale para várias espécies de predadores. Então é possível assimilar que, se não houvesse uma barreira física, o primeiro leão e sua família se expandiriam até onde a vista permitisse. Se olharmos com um pensamento “moderno”, veremos que o primeiro leão “respeita” o espaço do segundo, mas em verdade ele apenas sabe que se passar da sua fronteira arranjará uma briga de vida ou morte com o seu vizinho.

Porém, nem todo conflito por alimento representa um risco de morte. No exemplo do macaco roubando uma banana do seu colega, é provável que a possibilidade de encontrar outras bananas naquele território seja um caminho menos arriscado a seguir do que se indispor mortalmente com um “mau caráter”. Talvez o que esse rapaz mereça seja somente uma corridinha e um bom puxão de orelhas. Talvez, de tanto transgredir as regras de boas maneiras, fique “queimado” no grupo.

A imensa capacidade humana de comunicação aperfeiçoou sobremaneira a vida social. Consequentemente, aprendemos que é mais vantajoso um ambiente cooperativo, equilibrando e/ou refreando os nossos impulsos primários e egoístas. O resultado é o que vemos hoje: um imenso e sofisticado desenvolvimento social e tecnológico, enquanto aqueles com maior dificuldade em refrear os seus impulsos egoísticos vão sistematicamente ficando à margem da sociedade, ou mesmo sendo aprisionados em prisões e cadeias. É onde começa a confusão, pois quando notamos a nossa limitação para atender a um desejo, como obter R$1 milhão de qualquer maneira, somos ou não capazes de contê-lo? Quando nos irritamos com alguém, somos ou não capazes de dominar a nossa raiva?

Por outro lado, a capacidade de reconhecermos o mérito de alguém que esteja em uma posição hierarquicamente superior nos permite organizar a sociedade em partes que precisam de uma liderança e uma certa estratificação de status para funcionar adequadamente. Essa necessidade de hierarquização é tão profunda que a própria natureza se encarregou de instituí-la há tempos na maioria das espécies sociais, de insetos a mamíferos. Aliás, importante lembrar que todo organismo onde existe um cérebro é de per si uma estrutura onde bilhões ou trilhões de células acompanham os ditames desse órgão líder. Portanto, é mais que evidente a utilidade da hierarquia, pois as estruturas sociais em geral, e especialmente a humana, dependem de representações simbólicas que nos lembre o papel e a posição de cada um. Exatamente como na natureza.

No caso humano, onde é possível racionalizar melhor as forças que estabelecem as hierarquias, aqueles que estão acima de outros em suas posições precisam agir em conformidade com os mais altos propósitos em favor do conjunto, caso contrário perderão prestígio e, com ele, as justificativas que os mantém nessas posições. Em uma análise mais ampla da atividade social cotidiana, todos nós, com muito ou nenhum poder, seja ele permanente ou temporário, deveríamos agir sempre conscientes da importância de preservar a harmonia dos grupos onde estamos inseridos, respeitando todos os níveis, nunca com o coração afetado pela arrogância ou pelo orgulho, mas sim pelo senso de dever.

Examinemos alguns casos de hierarquia intrínseca à sociedade moderna:

  • Papa – não podemos achar que podemos convidar o papa para tomar um chope ali na esquina. Aliás, pelos mesmos motivos que jamais o veremos de bermudas na Praça de São Pedro. Papa Francisco, por sua vez, tem demonstrado humildade diante de seu papel.
  • Hierarquia parental – filhos não podem desrespeitar os seus pais, tios ou avós, especialmente aqueles que possuem o mérito de serem bons parentes. Por sua vez, pais, tios e avós não podem agir como se estivessem acima de questionamentos. Todos precisam dar o exemplo.
  • Hierarquia jurídica – acho importante haver uma deferência aos juízes, pois eles representam não a si mesmos, mas à Justiça. Um juiz, por sua vez, não pode achar que é Deus…
  • Hierarquia profissional – um diretor precisa ser visto e tratado como uma pessoa que tem a responsabilidade de condução da empresa. Espera-se, no entanto, que esteja à altura do cargo.
  • Hierarquia política – o Presidente da República precisa ser respeitado para que as suas decisões em favor da população como um todo sejam devidamente acatadas. Quando age apenas com o objetivo de se perpetuar no poder, atua em conflito de interesses, ou seja, perde o direto ao respeito e deve ser deposto.

O fenômeno da “relativização de status” nos leva a querer estar sempre acima do outro, nunca abaixo. Ele nos afeta o tempo todo, de muitas formas e em várias ocasiões. Nunca queremos ou nos permitimos aparentar inferioridade. Excetuando-se a disposição hierárquica naturalmente necessária para o bom funcionamento das sociedades, como comentado, comportar-se de forma vazia de utilidade como alguém superior é apenas permitir a atuação dos instintos mais primitivos que possuímos.

A incompressibilidade do ego

Ego significa “eu”. E como vimos acima, a sobrevivência do nosso “eu”, dos nossos genes, depende de grande competência para conseguirmos alimentos e parceiros disponíveis para acasalamento. Conforme a evolução transcorreu e as espécies se tornaram cada vez mais complexas, maior a necessidade de convivência em grupos sociais. Como consequência, desenvolveu-se a mais sofisticada das ferramentas biológicas para atendimento das necessidades e objetivos desse “eu”: a mente. A mente, portanto, é o próprio ego. Vamos procurar esclarecer aqui como a mente precisa se fazer respeitar para preservar a sua própria integridade.

A natureza dotou a mente do macaco com um gosto genérico por frutas e insetos. Analisando esses alimentos descobrimos que esse gosto é apenas a combinação da aptidão cerebral pelo sabor de nutrientes contendo açúcar (para energia) e proteína (para estrutura física) com a capacidade de serem metabolizados pelo macaco. É uma combinação especial, pois o galho da goiabeira pode até conter esses nutrientes, mas não pode ser digerido por um macaco.

Naturalmente, alguns alimentos no território do macaco são mais raros do que outros e, embora não saibamos ainda como acontece em detalhes, seu cérebro desenvolve um sistema de recompensas diferentemente para cada tipo de alimento. Por exemplo, ele pode gostar mais de amoras do que de bananas, simplesmente porque as primeiras são mais doces. Daí podemos concluir que o macaco pode estar disposto a maiores esforços, ou mesmo entrar em uma disputa física, por causa de amoras, mas não tanto por bananas.

Podemos dizer que uma amora é um vetor de interesse (VI) para o macaco, assim como o sexo. Logo, da mesma maneira que o nosso macaquinho pode se tornar mais competitivo e, portanto, mais agressivo, na disputa por amoras, ele pode ter também grande preferência por uma entre as doze macaquinhas do seu grupo. A verdade é que ele copulará com a primeira que lhe der bola, pois a natureza sempre busca o caminho mais fácil. Mas, ainda assim, provavelmente, assim como nas amoras, ele estará sempre inclinado a uma disputa mais violenta para possuir a tal macaquinha do que com relação às demais.

O que observamos na natureza e, por analogia, no universo humano, é que, uma vez estabelecida uma meta, que pode ser essencial ou por mero gosto, tornamo-nos inclinados a lutar mais ou menos por ela. Logo, a luta por um determinado objetivo cria em nós um vetor de interesse (VI), que pode ser forte ou fraco, a partir do qual estamos ou não prontos para uma ruptura.

Como vimos na relativização de status, o tamanho do oponente é um fator importante para avaliação de nossa chance de sucesso em uma disputa. Há nos animais, portanto, uma tendência generalizada de tentar se parecer maior, seja em termos físicos, intelectuais ou econômicos. Consequentemente, nas sociedades humanas temos também a necessidade de possuir certo tipo de aparência, ou seja, o maior quanto possível e ao mesmo tempo “redondo” e “liso” para podermos transitar sem esbarrar nas arestas dos outros egos do nosso próprio grupo social.

Para cada VI diferente há um esforço proporcional a se dedicar para a sua obtenção (ou retenção, proteção), conforme vimos no caso do macaquinho apaixonado. Temos inúmeros interesses diferentes, estratégicos ou triviais, grandes ou pequenos, como proteção da família, gosto por bebidas A ou B, gosto por comida C ou D, vontade de comprar um carro, vontade de casar, vontade de ter um salário maior, vontade de ler um livro, vontade de viajar, vontade de tomar um sorvete, vontade de calçar um tênis e assim por diante. São interesses que estão em nosso interior, debaixo da casca lisa que nos distingue como indivíduos. Felizmente ou infelizmente, esses interesses encontram barreiras de várias dimensões, em geral decorrentes de interesses contrários de outros indivíduos, seja porque você precise competir por dinheiro (energia) para adquirir o que quer ou por demonstrar um status maior pela simples possibilidade de parecer mais feliz que os outros.

Uma vez que somos redondos e lisos por fora e repleto de pontiagudos vetores de interesse por dentro, podemos imaginar que o nosso ego tem a figura de uma cajarana de superfície lisa e arredonda, mas cujo núcleo central é um caroço espinhoso, de tal forma que quem tentar adentrar essa superfície muito profundamente encontrará uma agressiva resistência, representada pelo sentimento de raiva. Cada “espinho” do caroço representa um VI. Como para cada VI estamos dispostos a um esforço distinto, maior ou menor, cada “espinho” possui também um tamanho diferente.

Há, porém, algumas diferenças nessa analogia. No caso do ego, a dimensão de cada “espinho” aumenta ou diminui de acordo a relação entre a força de vontade e a sua respectiva barreira. Se a vontade for pequena diante de uma barreira qualificada como intransponível, a tendência mais saudável é que ela diminua até sumir. É o que eu aconselharia ao Tiririca se ele quisesse uma noite de amor sincero com a Charlize Theron…

Muitas forças entram em ação diante dos interesses do nosso ego. Entre as principais há o estado emocional de fundo que, conforme definido pelo neurocientista Antonio Damasio, potencializa a nossa avaliação emocional dos eventos, tanto para o “bem” quanto para o “mal”. Se estamos irritados, por exemplo, cada espinho aumenta de tamanho, de maneira que quem contrariar determinado vetor de interesse, encontrará a resistência, o ponto de ruptura, mais acima, mais próximo da superfície da “cajarana”. Por outro lado, se estamos de bem com a vida ou mesmo apaixonados, relaxamos e os vetores de interesse podem se encurtar.

O problema é que estamos sempre muito mais predispostos a sentir raiva, em especial em situações de defesa de nosso suposto status, do que de procurarmos a paz e a afetividade entre as pessoas, que em geral significa a concessão de um espaço nosso, de generosidade, de igualdade de status. É como sempre digo à minha prole: “a raiva é a emoção mais barata enquanto o amor é a mais cara”. Sentir raiva é muito fácil, mas invocar o amor requer um esforço sempre muito maior, mas sempre vale a pena e é do que o mundo precisa.

Conclusões

Parece-me simples notar a interrelação entre os dois subtemas acima. O ego é desafiado a sobreviver e perpetuar-se por meio de descendentes. Logo, para manter-se íntegro e respeitado no seu meio social “defende-se” ou “ataca” conforme os outros egos interagem com ele. Para atender melhor essas necessidades tão básicas, e nos orientar mais facilmente, a sociedade humana evoluiu subdividindo-se em grupos mais específicos, menores, que podemos chamar de “tribos”.

Definida a tribo a que pertencemos, agimos com maior desenvoltura comportamental. Se adentramos em uma tribo muito diferente, rapidamente avaliamos se aquela situação está acima ou abaixo de nosso nível social e decidimos se ficamos – e nos socializamos -, ou se partimos.

A situação é mais complexa quando estamos em nosso grupo social, na nossa própria tribo. Em nosso cotidiano, seja na escola, no trabalho ou num grupo de amigos, estamos sempre alertas ao que os outros estão tentando fazer para se destacar acima de nós. O desconforto aparece porque, instintivamente sabemos que descer níveis representa uma potencial perda de respeito, significando uma ameaça ao nosso ganha-pão (sobrevivência) e mesmo à fidelidade de nossas companheiras (procriação). Desse jogo de interesses surgem os conflitos, tanto os de escala local quanto os de escala global. Difícil se contentar com a neutralidade. (Ver https://reestruturador.wordpress.com/2015/02/26/o-homem-universal/)

Engana-se quem acredita que o nosso cérebro trabalha somente por meio da lógica pura. As nossas decisões são fortemente afetadas pelas emoções, em especial aquelas onde os nossos interesses conflitam ou tangenciam os de outras pessoas. O orgulho, a vaidade e a arrogância, ao se misturar com a raiva, a repulsa, a inveja e a vergonha tornaram-se as principais emoções criadas pela natureza para lidar com essas situações. Desta forma, por exemplo, quando nossos algoritmos mentais identificam que algo está nos colocando em evidência acima dos outros, seja por qualquer razão – beleza pessoal, forma física, condição econômica, condição social -, emerge um sentimento de superioridade, que pode ser melhor descrito como orgulho ou vaidade. Ocorre que, se essa emoção transborda a ponto de ser notada por outras pessoas, estas, por sua vez, tenderão a se sentir inferiorizadas mediante a compressão de seu ego, o qual reage por meio da repulsa, da antipatia e da não aceitação. Ninguém gosta nem consegue se sentir bem, estando por baixo.

Um problema importante é o imenso desperdício em energia que empregamos em situações diagnosticadas de forma rasa pelo nosso cérebro. Esses recursos mentais, que foram criados para nos proteger em um meio selvagem, onde provar superioridade seria realmente uma questão de vida ou morte, modernamente criam situações ilógicas de tal maneira que frequentemente transformarmos a nossa vida em um inferno emocional sem a menor necessidade…

Saber perceber e qualificar aquilo que possa representar uma ameaça à nossa sobrevivência ou aos nossos interesses em geral é uma habilidade importante do nosso sistema sensorial e intelectual. Porém, quando observamos melhor o enorme conjunto de situações que vivemos no cotidiano, o que notamos é em verdade uma grande incompetência em perceber sua real amplitude, de forma que pudéssemos torná-los algo positivo ou aproveitável. O que mais vemos é a alimentação da arrogância, uma baixeza do ego, atraído pela competição banal, gratuita e infrutífera quanto a quem tem mais o quê. Pior, na maioria das vezes o falso ganho que pensamos ter quase nunca é algo realmente palpável, tratando-se apenas de vitórias fantasiosas.

A seguir elenco alguns exemplos onde somos vítimas ingênuas de nosso primitivismo, de nossa limitação analítica e emocional. O objetivo é exercitar em nós mesmos essas deficiências, o que nos dá a chance de atuar melhor na evolução da sociedade, no bem-estar e no respeito entre as pessoas, próximas ou não de nós.

  • Briga de casal – quem é casado conhece as disputas para ver quem tem razão sobre determinado assunto. Nessas horas ninguém quer ficar por baixo e parecer vulnerável. A todo momento procura-se elaborar argumentos que pareçam mais inteligentes que o outro para subjugá-lo e, metaforicamente, liquidá-lo. Mas, em ambas os lados, além da preocupação estratégica para vencer a disputa, outro fenômeno está em andamento: o ego se torna ainda maior e mais pontiagudo. Resultado? Ruptura emocional. O maior inconveniente em brigas crônicas de casal sobre quem detém o maior status é que este é o caminho contrário ao que deveria ser o objetivo de todo casal: tornar-se um só.
  • Separação de casais – nem sempre as amigas se sensibilizam quando uma moça se separa do marido ou namorado. É como se dissessem: “Eita! Essa aí se ferrou. Pelo menos ela não está melhor que eu…”. Não é à toa que escândalos sexuais e separações vendem tantos jornais – as pessoas tendem a se deleitar com a desgraça alheia.
  • Curiosidade mórbida – sempre que há um atropelamento fatal ou um assassinato as pessoas se aproximam e se acotovelam para ficar observando o cadáver. Alguém mais desavisado poderia imaginar que as pessoas estão ali preocupadas com o destino do falecido, mas em verdade acredito que a imensa maioria esteja lá se deleitando com a hipótese de estar diante de alguém em situação realmente pior que a sua própria. É como se dissessem: “Eita! Esse aí se ferrou. Estou melhor que ele…”. Não é à toa que notícias escabrosas de crimes vendem tantos jornais – as pessoas tendem a se deleitar com a desgraça alheia.
  • Separação de casais – nem sempre as amigas se sensibilizam quando uma moça se separa do marido ou namorado. É como se dissessem: “Eita! Essa aí se ferrou. Pelo menos ela não está melhor que eu…”. Não é à toa que escândalos sexuais e separações vendem tantos jornais – as pessoas tendem a se deleitar com a desgraça alheia.
  • Aluno que contesta professor dedicado – numa sala de aula é natural que se formem grupos, tribos, de maneira que os jovens se sentem compelidos a demonstrar uma atitude que lhe garanta o status de pertencimento ao grupo ou mesmo um destaque. Nessa linha, desafiar a autoridade máxima da sala, o professor, é como contar pontos em dobro nessa escala torta de prestígio. Um aluno que desafia a autoridade de seu dedicado professor não passa de um Zé Ninguém na verdadeira perspectiva da vida. Engana-se a si mesmo, apenas.
  • Colchão paraguaio – há muitos anos atrás, nós brasileiros comprávamos produtos no Paraguai que em verdade eram imitações fabricadas na China. Dada a sua baixa qualidade acostumamo-nos a atribuir a pecha de paraguaio a tudo o que não fosse bem feito. Como o Paraguai é um país subdesenvolvido, essa sensação de superioridade sempre nos fez muito bem. O problema é que não nos damos conta o quanto somos considerados inferiores a americanos, europeus etc.
  • Umbigo americano – a superioridade americana no campo econômico, militar, das ciências e tantos outros é inegável. Eles tiveram a sorte de fundadores esclarecidos e altamente inspiradores, enquanto nós… Embora haja mérito no colosso americano, é curioso observar que por se sentirem na terra prometida acreditam que o resto do mundo mereça viver no inferno. Bem, talvez seja devido a esse comportamento de regozijo do próprio status que atraia tanta inveja de grupos primitivos e atrasados, como o de radicais islâmicos. Se os EUA tivessem realmente foco em procurar meios de reduzir (via ações próprias, via ONU etc.) a sua diferença de status para outros países miseráveis, certamente seria visto com outros olhos.
  • Falsa intimidade com Deus – entre as maiores desgraças da relativização de status está essa maldita mania do ego humano de achar que sabe o que Deus pensa. Essa errônea avaliação de humanizar o pensamento divino tem levado as pessoas a guerras e conflitos intermináveis. Dispensável detalhar as confusões, grandes ou pequenas, tais como as Cruzadas, o terrorismo dos radicais islâmicos da atualidade, o evangélico que enche o saco com teorias inverossímeis, a exploração pelo pastor que procura trechos da Bíblia que validem o roubo consentido dos fiéis etc.
  • Brigas de gangues – Fico impressionado com a ideia das gangues (ou mesmo grupelhos escolares) se enfrentarem apenas para disputar a superioridade de um grupo sobre o outro. Observe que em geral não há disputa de qual grupo tem o melhor emprego, as melhores notas na escola, maior quantidade de diplomas, ou seja, não há disputa intelectual. A disputa é sempre quanto a quem é o mais forte. Há primitivismo maior que esse? Mais ridículo, impossível.
  • O novaiorquino – na cultura americana, especialmente em NY, há aquela sensação de que todos precisam mostrar “atitude”. É uma forma de se colocar como superior àqueles que, em sua visão, seriam medíocres. Ocorre que me parece muito claro que as relações humanas se beneficiam muito mais dos processos cooperativos, ou seja, daqueles casos onde a afabilidade atrai e motiva os grupos em torno de objetivos comuns. A pessoa que age assim me parece mais arrogante e infantil do que simplesmente uma “personalidade com atitude”.
  • Vergonha de perna machucada – conheço uma senhora de 77 anos que tem um pequeno ferimento na perna esquerda e precisa mantê-la enfaixada por recomendações médicas. Ocorre que ela tem vergonha de ir ao shopping porque alega que “estão todos olhando para a perna machucada”. Ora, para que se sente tão diminuída socialmente por causa de um pequeno ferimento? No fundo, seu instinto lhe diz que a aparência de um problema na perna a afasta de pretensos candidatos a casamento pois, na natureza, fêmeas que não pareçam saudáveis para procriação são desprezadas. Mas a inaplicabilidade lógica do caso dela não consegue se sobrepor à vergonha que sente.
  • Mudança diante de plateia – se alguém tem algum assunto particular a tratar com o seu chefe, faça-o em particular. Todos mudam diante de plateias objetivando parecer superior, logo, seu chefe sempre tenderá a parecer mais frio se houver outras pessoas olhando.
  • Pessoas que humilham prestadores de serviços, como domésticas, porteiros, garçons etc. – todos conhecemos casos de pessoas que, com o objetivo de se mostrarem superiores gostam de tratar os mais humildes com desprezo e superioridade. Particularmente, aos finais de ano, costumo agradecer a todos os que, ao longo do ano, me ajudam a proteger e a cuidar de mim dos meus familiares: porteiros, faxineiros, seguranças, garçons, mâitres. Se pararmos para pensar, em termos de estratificação social, somos também sempre inferiores a alguém, logo, por que nos deixarmos afetar por isso?…

Há ainda o argumento final de nossa pequenez cósmica.  Embora considere basilar o argumento de que não devemos nos sentir superiores pelo simples fato de que somos tão pequenos que não significamos nada para o universo, não gosto muito de usá-lo porque tem gente que simplesmente não alcança o seu significado. Para mim é suficiente a recomendação de assistirem a hilária e ao mesmo tempo brilhante apresentação no youtube do filósofo Mário Sérgio Cortella a respeito da pergunta “sabe com quem você está falando?”. https://www.youtube.com/watch?v=P3NpHryB-fQ

De resto, é torcer para que cada um encontre o seu próprio caminho evolutivo e que parem de bobagens.